Tuneis subterrâneos em Pelotas serviriam a propósitos nazistas.

americanaritter

 

Matéria da revista de historia
http://www.revistadehistoria.com.br

 

Túneis subterrâneos que ligariam a cervejaria de duas famílias alemãs à Santa Casa de Pelotas e que supostamente teriam servido a espiões nazistas para transmissões secretas por rádio para o Terceiro Reich, com a colaboração de um enfermeiro. O caso envolveria o próprio gerente da cervejaria, presidente do partido nazista na cidade, que chegou a se esconder nos porões da fábrica antes de ser preso e levado para Porto Alegre.

Essa é uma das muitas histórias que o povo conta sobre os túneis de Pelotas. Sua construção seria atribuída aos jesuítas, aos escravos ou aos diferentes exércitos que ocuparam a região. Mas o que deu origem a essas lendas? Existem mesmo antigos túneis sob a cidade?

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A inauguração do Memorial da Santa Casa de Pelotas trouxe novas pistas. Com a reorganização dos documentos da instituição, foi encontrado um exemplar de 1942 do jornal ‘Folha do povo’, que relata uma investigação policial a procura de uma estação clandestina de transmissão de rádio no hospital. Supostamente, ela seria utilizada pelos espiões nazistas.

De fato, existiam passagens subterrâneas entre casas da mesma família, como a que havia na esquina da Rua XV de Novembro com a Dom Pedro II, bloqueada em 1913. A arquitetura de porões altos, como o da Biblioteca Pública, também fomenta a imaginação popular.

26755409Muitos acreditam que na Praça Coronel Pedro Osório haveria um túnel, com saída na Casa da Banha, mas quando o prédio foi cercado com barris de pólvora pelas forças imperiais durante a revolução farroupilha, os soldados farrapos se renderam. Se houvesse uma rota de fuga subterrânea, teria sido usada nessa ocasião.

Outros acham que existiu uma passagem entre o Mercado Público e a Prefeitura, mas o que havia ali eram duas antigas cisternas.

Algumas pessoas pensam que no Parque da Baronesa havia um túnel entre a gruta artificial do jardim e o algibe. As pessoas vêem os buracos e imaginam que eles tenham ligação. O fechamento de muitos desses poços ocorreu provavelmente depois de uma epidemia de côolera morbus causou a mortalidade de 6% dos 9 mil habitantes da cidade em 1855. Na época, o presidente da província calculou um total de 4 mil vítimas no Rio Grande do Sul.

A primeira epidemia de côolera morbus causou a mortalidade de 6% dos 9 mil habitantes da cidade em 1855. Na época, o presidente da província calculou um total de 4 mil vítimas no Rio Grande do Sul.

Com a chegada da Companhia Hydráulica Pelotense, que trouxa a água encanada à cidade em 1874, os antigos reservatórios que dividiam o subsolo com as fossas cloacais se tornaram obsoletos.

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Rede de esgotos e galerias pluviais

No ano de 1913, com a construção da rede de esgotos, foi criado um regulamento sanitário que previa o fechamento dos algibes onde houvessem águas nocivas à saúde e à higiene da população.

Seus dois coletores gerais, feitos de concreto, têm dimensões bem maiores do que as dos canos de ferro que os alimentam, provenientes das outras ruas.

São duas galerias principais: o coletor ocidental, que vem pela Professor Araújo, passando pelas ruas 7 de Setembro, Santos Dumont, Marechal Floriano, Barão de Santa Tecla, Três de Maio e General Osório, seguindo em direção à rua Conde de Porto Alegre, onde as manilhas de ferro são

substituídas por tubos de concreto; e o oriental, que começa na Rua Marechal Deodoro, esquina com a Padre Felício, passa pela Avenida Bento Gonçalves e corre paralelo ao canalete da General Argolo até a Almirante Barroso, indo depois em direção à Rua Almirante Tamandaré.

Apesar de não terem sido feitos para circulação de pedestres, os trechos finais de sses túneis têm espaço suficiente para uma pessoa passar abaixada. Na junção dos dois dutos, na esquina da Tamandaré com a João Pessoa, o túnel passa a ter 1,94 m de altura e 90 cm de largura.

As galerias pluviais de Pelotas também podem ser consideradas verdadeiros túneis. É o exemplo das tubulações que levam a água da chuva até a confluência do antigo leito do canal Santa Bárbara com o São Gonçalo, por baixo da Avenida Saldanha Marinho, indo em direção à Rua Nossa Senhora da Luz. Em seu trecho final, o duto de quase 2 km de extensão chega a ter 1,70 m de altura.

Nazismo subterrâneo

26754909Os porões da antiga cervejaria Ritter, que ficava entre a Santa Casa e o Camelódromo, são os mais impressionantes do subsolo de Pelotas. Eram usados para estoque e fermentação da cerveja produzida na fábrica, fundada em 1870 pelos irmãos Carlos e Frederico Ritter, e acredita-se que ocupavam a quadra toda. Mais tarde, a Cervejaria Sul-Riograndense, fundada pelo imigrante alemão Leopoldo Haertel em 1889, se uniu com a Ritter, e em 1944 elas foram vendidas para a Brahma.

Muitos populares acreditam que a passagem ia até a caixa d’água que fica em frente ao hospital, de onde os espiões alemães transmitiriam mensagens por rádio para o III Reich. Na II Guerra Mundial, os imigrantes alemães sofreram perseguições e tiveram os seus bens destruídos. Segundo Leopoldo Haertel, neto do fundador da Sul-Riograndense, o prédio da Ritter só foi poupado depois que seu tio e seu pai ficaram na frente do edifício segurando uma bandeira do Brasil.

Ele conta que o gerente nazista fugiu para dentro dos porões da cervejaria com um cachorro pastor alemão. “O animal começou a fazer barulho, então o gerente deu um tiro nele, e os brasileiros o acharam”, relatou Haertel.

Agora a fachada do prédio está sendo restaurada para a construção de um shopping center. A arquiteta Singoala Miranda, responsável pelo projeto do shopping, acredita que os túneis possam por baixo da Santa Casa, mas como seus trechos finais estão bloqueados, é impossível saber com certeza até aonde eles iam. Não foram encontrados documentos que comprovassem o fato, mas a empresa realizadora do empreendimento localizou vestígios dos alemães nos porões. O que se sabe com certeza é que o coletor de esgotos que passa entre a Santa Casa e a fábrica fica entre 4,5 m e 6 m de profundidade, que foi construído anos antes da II guerra Mundial, na década de 1910. Portanto, o túnel precisaria estar bem mais abaixo para poder chegar até a caixa d´água ou ao hospital.

A equipe da arquiteta não pôde averiguar mais fatos históricos relacionados ao prédio porque a Biblioteca Pública de Pelotas, que guarda os jornais da época estava em reformas na ocasião. A bibliografia da época sobre o assunto é rara, a planta original do prédio não pôde ser localizada e até então não foram encontradas provas documentais que confirmem a história. Mas a quantidade de relatos conservados oralmente pelas pessoas que viviam em Pelotas na época ajudam a fazer crer que a história possa ter realmente acontecido. Verdade ou não, a imagem que ficou na memória de alguns mais idosos foi a de um enfermeiro chamado João Perneta colaborando com as transmissões de rádio dos nazistas.

Relatos falam de passagens subterrâneas em vários outros pontos da cidade, mas a dúvida continuará existindo, pelo menos até que se possa pesquisar o assunto com a profundidade que ele merece.

~ por Rosemaat Abiff em 17/05/2014.

8 Respostas to “Tuneis subterrâneos em Pelotas serviriam a propósitos nazistas.”

  1. Muito interessante, obrigado pela contribuição escrita.

    Abraço!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Cadê o nome do autor do texto???? Sou o autor, não foi nenhum Rosemaa quem escreveu e fotografou, e o cara ainda agradece os comentários. Cara de pau! Vocês tem que tomar cuidado pois desse jeito vão tomar um processo, já que em nenhum momento autorizei a reprodução do texto e fotos de minha autoria. Pra quem se diz espiritualizado, acho que deveriam ter um pouco mais de consideração com quem passa dias pesquisando e entrevistando e fotografando pra fazer uma matéria. Não citaram nem o verdadeiro autor B. M. Farias e nem o site da Revista de História da Biblioteca Nacional como fonte original da matéria. Lamentável!!!

    Curtido por 2 pessoas

    • Olá BM Farias, primeiramente acho que está havendo uma certa dissonancia entre o que compreendeste e o que foi dito
      1- eu postei o texto aqui, eu nenhum momento eu me declarei autor
      2-a fonte original não existe mais
      3-eu agradeci o comentário do primeiro leitor e pedi para ele voltar sempre, não afirmei que era o autor

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    • O texto foi postado em 2014, curiosamente(e não gratuitamente) você veio a nós reclamar 4 anos depois.

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    • Postar- transitivo direto e pronominal
      pôr (alguém, algo ou a si mesmo) em certa posição ou em determinado local, ger. para ali permanecer algum tempo; posicionar(-se), colocar(-se).
      “p. a vigilância na entrada da rua”
      ficar em pé, parado.
      “postava-se na esquina, vendo as moças passarem”

      outras pessoas com paginas sobre pelotas também compartilharam o texto, espero que tenhas o mesmo empenho e afã com elas que tiveste cá em nosso blog.

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    • Aliás eu lí o texto, na revista, na biblioteca da ufpel.

      Curtido por 1 pessoa

  3. Site foi desativado há alguns meses, mas nós sabemos como acessar seu conteúdo.
    Bruno Leal | Agência Café História

    A crise financeira foi implacável para a mais importante experiência de popularização de história no Brasil. Há pouco mais de um ano, a Revista de História da Biblioteca Nacional (RHBN) deixou de circular nas bancas. E há alguns meses, um golpe ainda maior: o site da revista saiu do ar – aparentemente, de forma definitiva. Mas nem tudo parece perdido. Existe uma maneira bem fácil de acessar o conteúdo do site da revista.

    Trata-se da ferramenta WayBack Machine, um enorme arquivo digital criado por uma organização sem fins lucrativos chamada Internet Archive. Ela arquiva atualmente mais de 475 bilhões de páginas da internet, desde 1996. Em outras palavras, o serviço permite aos usuários visualizar versões de páginas de um determinado site mesmo que ele tenha saído do ar. Basta acessar o site da ferramenta e inserir no campo de busca o endereço eletrônico da RHBN: revistadehistoria.com.br. Pronto, você já pode voltar a navegar entre artigos e entrevistas. O serviço de recuperação do serviço é bastante satisfatório. As imagens nem sempre são recuperadas, mas os textos são arquivados perfeitamente.

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