[Corrente 93 Class No. 11] Patañjala Yoga #1: O Portal do Yoga

Publicado em 5 de jun de 2016

Na Bhagavadgītā, Arjuna faz uma referência a mente. Ele diz a Śrī Kṛṣṇa «VI: 34»:

cañcalaṃ hi manaḥ kṛṣṇa pramāthi balavad dṛḍham |
tasyāhaṃ nigrahaṃ manye vāyoriva suduṣkaram.

Pois a mente é inconstante, atormentada, poderosa, obstinada, ó Kṛṣṇa! Eu considero o controle dela tão difícil como o [controle] do vento.

Quando Arjuna fez esta observação, Śrī Kṛṣṇa concordou com ele. Ele respondeu «VI: 35»:

asaṃśayaṃ mahābāho mano durnigrahaṃ calam |
abhyāsena tu kaunteya vairāgyeṇa ca gṛhyate.

Sem dúvida, ó Mahābāhu [Arjuna], a mente é inconstante e difícil de ser controlada. Porém, ó Kaunteya [Arjuna], através da repetição e do desapego, ela é disciplinada.

Kṛṣṇa destacou dois exercícios a fim de se controlar ou gerenciar a mente. O primeiro foi abhyāsa, que literalmente é «repetição», mas nós também chamamos de «prática». O segundo foi vairāgya, «desapego» ou «indiferença». Mantendo essas duas referências em mente, vamos primeiro considerar o desapego, depois a prática.

Quando a palavra mente é usada no Yoga, ela se refere a todas as quatro funções ou comportamentos que manifesta na vida: manas, a habilidade de refletir ou pensar, buddhi, inteligência, citta, o armazém das memórias e ahaṃkāra, o ego.

Essa grande mente, integrada em sua totalidade, identifica, interage e se associa aos sentidos e aos objetos dos sentidos. A mente percebe o que os sentidos experimentam. Se seus olhos vêm um objeto, sua mente o reconhece, se identifica com ele, nomeia-o e o compreende em sua natureza. Se você sente o cheiro de algo, a mente o identificará e imediatamente irá apreciá-lo ou rejeitá-lo. Se você toca em alguma coisa, a mente vai reconhecê-la. Se você provar um doce, a mente irá reconhecer o sabor. Portanto, a mente se identifica e interage com os sentidos e seus objetos o tempo todo, em todas as circunstâncias.

Por que a mente se identifica com os objetos dos sentidos? Porque ela tem que fazer isso! A fim de sobreviver no mundo como um ser humano, a mente tem de seguir a lei da Natureza «prakṛti». Uma vez que a alma nasce, todas as faculdades do corpo, sejam sensoriais, mentais, emocionais ou intelectuais, se conectarão externamente com algo tangível e reconhecível. É por isso que a mente interage com o mundo.

Neste processo de interação existe uma busca, uma busca inconsciente de contentamento e felicidade. Não importa a direção em que os sentidos e a mente vão, você sempre está buscando felicidade e contentamento através dessa conexão ou associação. O desejo de posse e aquisição se manifesta como uma percepção subjacente de que você será feliz quando adquirir o objeto de seus desejos: «eu vivo em uma choupana, se eu vivesse em uma casa de verdade, seria uma pessoa melhor»; «eu tenho uma bicicleta, mas se eu tivesse uma motocicleta, seria uma pessoa melhor»; «eu tenho uma motocicleta, mas se eu tivesse um carro, seria uma pessoa melhor»; «eu não tenho família, se eu tivesse uma, seria uma pessoa melhor». Sempre estamos esperando que algo aconteça para sermos melhores. Nesse caminho, todas as interações na vida, com qualquer objeto dos sentidos, pessoas ou ideias, são uma busca pessoal por completude e satisfação. É isso que todos buscam por toda a vida.

Na medida em que a mente procura pelos sentidos e seus objetos, mantém-se distraída, dissipada e volátil. Quando a atração pelos objetos dos sentidos e a satisfação sensorial é reduzida, a mente se torna pacífica e quieta. Todos sabem disso, mas não são capazes de praticar porque não estão aptos a interromper a mente de seguir o trem do desejo. As pessoas são incapazes de guiar suas mentes, incapazes de saber o que realmente é apropriado e o que não é. É por isso que, a fim de controlar a mente e gerenciar seu comportamento, abhyāsa «prática» e vairāgya «desapego» têm de ser desenvolvidos.

Além da Bhagavadgītā, o Yogasūtra também menciona que, a fim de reduzir as aflições da mente e superar o sofrimento e a instabilidade mental, o praticante tem de desenvolver abhyāsa e vairāgya «I: 12»:

abhyāsavairagyābhyāṃ tannirodhaḥ.

Através da repetição e do desapego [emerge] a cessação [da identificação com as flutuações da consciência].

Você pode ler essa aula na íntegra no livro “O Olhos de Hoor”:

https://www.clubedeautores.com.br/boo…

~ por Rosemaat Abiff em 05/06/2016.

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