Corrente 93 Class No. 13] Patañjala Yoga #3: Apego & Desapeço

Rāga significa «apego», «conectar-se» e vairāgya significa «desapego». Vairāgya indica que o praticante está livre da influência dos apegos.

O Yogasūtra declara que o apego é causado pela busca por prazer e felicidade «II: 7»:

sukhānuśayī rāgaḥ.

Apego é agarrar-se ao prazer.

Você se sente atraído a pessoas, lugares e objetos que lhe trazem a sensação da felicidade. Você se apega ao sentimento e a percepção do apego, associação ou conexão, acreditando que isso lhe trará felicidade. O oposto desta sensação é o sofrimento, duḥkha «II: 8»:

duḥkhānuśayī dveṣaḥ.

Aversão é agarrar-se ao sofrimento.

Apego e aversão, atração e repulsão, representam o movimento em pêndulo da mente. A mente oscila entre rāga e dveṣa, do apego e o prazer a rejeição e o sofrimento, de sukha a duḥkha. Este tem sido o comportamento da mente humana do nascimento ao momento de sua transição.

O ser humano está sempre gravitando ao redor dos lugares, objetos dos sentidos ou pessoas com quem possa experienciar o regozijo e a felicidade, evitando e rejeitando aqueles que podem gerar contenda, discórdia, conflito, tensão, confusão, sofrimento e desarmonia. Essa é a característica natural ou o comportamento peculiar da mente.

A atração pelo prazer dá nascimento ao estado de rāga na mente. Uma vez que tenha nascido, a experiência de rāga se intensifica, aumentando o apego aos objetos que supostamente trarão prazer. Neste apego e atração a mente perde seu equilíbrio. Quando o prazer do objeto do apego não é satisfeito, a mente perde sua estabilidade e experiência o sofrimento e o descontentamento. Este é o estado que Patañjali descreveu como duḥkhānuśayī dveṣaḥ. Quando a experiência do sofrimento se manifesta devido à inexistência do prazer, a única coisa que se pode pensar na hora é nas medidas necessárias para se livrar desta perturbação. Essa oscilação entre rāga e dveṣa é a causa da dissipação mental, depressão e doença. Desordens psicológicas são causadas porque a maioria das pessoas não está livre da oscilação entre rāga e dveṣa.

No estado de depressão você se conecta com o sofrimento. Mas se você se desconecta dele, não há razão para que a depressão continue a existir. Do outro lado do pêndulo, quando você está alegre e regozijante, existe grande expectativa pelo prazer, pois está conectado ao prazer. Essa conexão a atração pelo prazer, dá nascimento aos seus pensamentos correspondentes, comportamento e ações.

Você pode ler essa aula na íntegra no livro “O Olho de Hoor”: Escrito por Fernando Liguori no Clube dos Autores.

[Corrente 93 Class No. 14 ] Patañjala Yoga #4: Pratyahara-Prática

Publicado em 5 de jun de 2016

O segundo método para controlar a mente é abhyāsa, que significa repetição, prática constante. Que tipo de prática? A prática para regular a mente. Śrī Kṛṣṇa disse na Bhagavadgītā «II: 58»:

yadā saṃharat cāyaṃ kūrmo’ṅgānīva sarvaśaḥ |
indriyaṇīndriyārthebhystasya prajñā pratiṣṭhitā.

E quando, como uma tartaruga que recolhe totalmente [seus] membros, [a pessoa] é capaz de recolher os órgãos dos sentidos [retirando-os] de seus respectivos objetos, seu conhecimento é firme.

Esta é a prática executada a fim de se controlar as faculdades mentais. Śrī Kṛṣṇa nos informa que a mente está conectada aos objetos dos sentidos. Ela segue os sentidos onde quer que eles vão. Portanto, retraia a mente impedindo que ela siga a torrente dos sentidos. Se os olhos veem algo prazeroso, reconheça-o. Mas ao mesmo tempo diga para si mesmo: «nossa, que bonito, realmente é algo belo de se apreciar», e pare por aqui! Reconheça e aceite, e pare por aqui! Não deseje o objeto contemplado. Não fique obcecado por ele. No momento em que você começa a desejar, imediatamente torna-se obcecado pela necessidade de possuir o objeto. Se os ouvidos escutarem algo agradável, reconheça e aprecie o som, mas não se apegue a ele. Se o nariz sentir o cheiro de algo agradável, reconheça e aprecie, mas não anseie por ele. Neste caminho, gradativamente você irá retrair a mente, impedindo que ela siga o fluxo dos sentidos e evitando que ela crie mais desejos e expectativas.

Neste exato momento sua mente é escrava de seus sentidos. Quando a mente se torna escrava dos sentidos, os sentidos também se tornam escravos da mente. Eles se integram e tornam-se apenas um. Não existe mais a distinção entre a experiência sensorial e a experiência mental. Se você olha algo delicioso de se comer, sua mente imediatamente começa a desejá-lo. Sua mente fundiu-se com o desejo, com a visão, apetite, paladar… tudo.

Lembrem-se: a mente e os sentidos não são entidades distintas, coisas separadas, embora eles sejam considerados assim. Eles são o comportamento denso e sutil da mesma śakti, do mesmo poder. Os sentidos são o comportamento denso, grosseiro e a mente é o comportamento sutil do mesmo poder cósmico. Quando os sentidos estão ativos, a mente se funde a eles, seguindo-os por toda parte. Quando a mente se desassocia dos sentidos, como ocorre durante o sono à noite, ela se estabiliza por si mesma independente das experiências sensoriais. A mente continua a existir, mas os sentidos não.

No sono, aromas, visões e sensações não costumam nos incomodar, a menos que sejam extremas. Somente quando eles se tornam extremos é que tiram a mente de sua autoidentificação trazendo-a para dimensão grosseira. À noite nós escutamos inúmeros sons e eles não nos incomodam. Mas se o telefone toca, nós ficamos atormentados; a sonoridade extrema do toque tira a mente de sua identificação com o sono profundo. Da mesma maneira, somos picados por inúmeros mosquitos durante a noite e isso não nos incomoda, até o momento que nos sentimos desconfortáveis e somos forçados a nos reposicionar confortavelmente na cama.

Quando a mente está estabelecida em sua própria identidade, os sentidos têm de se tornar mais fortes para conseguirem tirá-la de sua harmonia. Isso é o que acontece na experiência do sono. No estado de vigília, os sentidos e a mente atuam e funcionam como uma única entidade, um único poder, uma única experiência. Se os sentidos forem retraídos de seus respectivos objetos no estado de vigília, a mente se tornará firme e estabelecida em si mesma. Śrī Kṛṣṇa utilizou o termo prajñā, não manaḥ.

tasya prajñā pratiṣṭhitā.

Seu conhecimento é firme.

Aqui Śrī Kṛṣṇa fala de uma faculdade específica da mente. Prajñā é a inteligência superior. Está relacionada a buddhi, a faculdade de distinção e escolha pelo gozo ou pelo sofrimento, o que faz com que está função da mente se torne a causa da agitação dos sentidos.

[Corrente 93 Class No. 15] Patañjala Yoga #5: A Visão do Yoga

O termo “yoga” pode ser traduzido como “trabalho”, o trabalho sobre si mesmo. Suas técnicas, geralmente confundidas com o próprio yoga, preparam o corpo e a mente para a aplicação da “visão do yoga”, sem o qual o yoga não se realiza. É como uma semente que deve ser plantada em uma terra bem preparada. De nada adianta preparar a terra (executar as técnicas de yoga) se a semente (a visão do yoga) não existe.

 

[Corrente 93 Class No. 16] Patañjala Yoga #6: Raja Yoga?

Publicado em 5 de jun de 2016

Enquanto os yogīs contemplavam o desenvolvimento do Yoga, um yogī se focou em como libertar a mente de seus apegos e associações com o mundo dos objetos, tornando-se centrado, para que dessa maneira começasse a experimentar sua própria pureza e natureza fundamental. Este yogī desenvolveu a doutrina que mais tarde seria conhecida como rāja-yoga. Seu nome era Patañjali. Ele foi contemporâneo de outros grandes mestres que desenvolveram outros sistemas de evolução da consciência dentro do sistema do Yoga. O haṭha-yoga foi criado por Gorakṣanātha, mas foi muito bem desenvolvido na Idade Média por Swātmārāma e Gheraṇḍa. O bhakti-yoga foi desenvolvido por Śaṇḍilya e Narada. Nesse caminho, muitos pensadores e ṛṣīs «videntes» desenvolveram diferentes «aspectos» do Yoga para suprir necessidades específicas ou desenvolver uma faculdade humana específica.

Enquanto Patañjali pensava na mente e suas funções, ele desenvolveu sistemas diferentes para acessar diferentes áreas da mente a fim de se obter controle total sobre suas funções. Esses sistemas diferentes foram agrupados em oito categorias distintas. Portanto, nos arriscamos a dizer que – embora isso não esteja escrito em lugar algum – o nome original do Yoga que lida com a modificação do comportamento da mente é aṣṭāṅga-yoga ou Yoga de Oito Membros. Coletivamente, estes oito membros receberam o nome genérico de rāja-yoga com o passar dos tempos. Rāja significa «rei», mas a palavra pode ser traduzida como «real» ou «regência». O nome foi dado segundo a natureza dessas práticas, pois a proficiência nelas faz com que a pessoa torne-se regente de si mesma, torne-se reguladora de sua própria vida, de sua mente. Portanto, o rāja-yoga consiste de práticas que permitem o praticante tornar-se o regulador, o rei de sua própria vida.

Você pode ler essa aula na íntegra no livro “O Olho de Hoor”:

https://www.clubedeautores.com.br/boo…

~ por Rosemaat Abiff em 15/06/2016.

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