Do homem profano, ao Iniciado Maçom. Um pequeno ensaio sobre a conversão !

Por:Max R. Pereira Hager MI ( Mero Irmão ) 33 ( mais 9, de idade )
ARLS Grande Mestre Alberto Mansur 3196
GOB-RJ

Versar sobre a iniciação é sempre complicado, principalmente em nossos dias. Com o passar dos anos, parece que diminuímos dia após dia. Fosse somente em termos quantitativos, ainda seria aceitável, mas perdemos em qualidade e isso é preocupante.

Quem venha a pesquisar nossos números no mundo, se valendo de uma ‘List of Lodges’, verá que a outrora portentosa maçonaria norte americana, saiu de quase 5.5 milhões de maçons nos anos 80, para os atuais 1.6 milhões dos nossos dias, somando-se a isso um crescimento demográfico de quase 55%. Assim, considerando-se tais números, fomos reduzidos à um quinto daquela época.

Entretanto, estes números mais do que mostrar uma diminuição nas iniciações, reflete também a evasão de membros na Ordem. Na verdade não precisamos sair buscando ‘novos irmãos’, mas saber como mantê-los. Porém como fazer alguém permanecer numa organização que ele desconhece, ou pior, que em nada se parece com o que ele esperava, ou à ele foi ‘vendido’ ?

No exterior, existem quase cursos para explicar e esmiuçar Maçonaria para o não iniciado. Livros são sugeridos, encontros e eventos são feitos, tudo é minuciosamente tratado, para que depois que o candidato venha a iniciar, não tenha a desculpa de que entrou num lugar errôneo e desconhecido.

E no Brasil, como acontece tal recepção ? Sabemos apresentar a Ordem ao candidato ? Conseguimos desfazer os mitos que cercam a Maçonaria, e junto destes mitos, as mentiras e lendas que cercam a mesma ?

Infelizmente para o Brasil, não podemos nem nos basear nos números que na “List of lodges” são apresentados. Encontramos obediências, com uma média de 100 irmãos por loja, algo como, você visita 5 lojas e em todas elas encontra uma média de 15 à 20 membros, logo, em algum lugar existem outras 5 lojas, com 185 a 180 membros, só não sabemos onde ! Talvez numa Grande Loja Celestial…

Voltando à alguns anos atrás, iremos lembrar de condomínios maçônicos, como Lavradio ou o ‘Palácio’ da Mariz e Barros, onde somente nos corredores encontrávamos centenas de irmãos, oriundos das muitas lojas que trabalhavam no dia e ou visitantes de outras oficinas e orientes.

Muitas são as perguntas que aqui poderíamos fazer, porém a principal que grita em nossas mentes é: “ Onde erramos ???” Será que o erro estaria naqueles que nos antecederam, e nos legaram mal o que receberam dos nossos antigos irmãos, ou será que essa tradição estaria sendo feita de maneira errônea em nossa geração ? Perdemos nosso ‘elã’ ou nem sequer recebemos ? As falsas teorias pululam em nossas lojas, pela nossa inépcia ou pelo nosso silente desconhecimento ?
Enfim, como deixamos esvaziar aquela Maçonaria tão plena de êxitos, serviços e história ?

Busquemos em nossas raízes, ou ainda que seja, um raio fulgido de uma de nossas grandes luzes, tentemos encontrar um fio de Ariadne no começo de nossa estória.

Rute, a moabita, e o descalçar de um dos pés !

Em nosso primeiro grau, justamente nos valemos do livro dos Salmos, escrito por David, Rei de Israel e pai de Salomão. Muitas de nossas tradições, visitam os ensinamentos que se fundamentam na construção daquele colosso sagrado em homenagem à D-us… O Templo de Salomão.

Porém, antes deste livro que compõe o Tanach para os judeus, ou Antigo Testamento para os cristãos, temos outro muito importante que traz-nos muitas orientações e novas luzes, refiro-me ao Livro de Rute.

O pequeno livro de Rute, dentre tantos outros mais extensos, traz a historia de Elimeleque e Noemi, que saindo de Israel, foram morar em Moab. Elimeleque morre deixando Noemi viúva e seus dois filhos, Quiliom e Malom, casados com moças locais, Orfah e Rute. Estes acabam também falecendo, ficando tais jovens também viúvas. Noemi, exorta as jovens à voltarem para seus lares e deixarem-na sozinha. Orfah, volta aos pais dela, porém Rute dá-nos um exemplo de determinação, amor e devoção. Conforme escrito nas escrituras: “ Disse, porém, Rute: Não me instes para que te abandone, e deixe de seguir-te; porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus. Onde quer que morreres morrerei eu, e ali serei sepultada. Faça-me assim o Senhor, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.”
Rute 1:16-17

O Livro de Rute, é o livro donde se fundamentam as principais leis para a conversão ao judaísmo, pelos exemplos e historia nele contidos.

No final, obedecendo à lei do levirato, onde um parente mais próximo deveria desposa-la (redimi-la), Rute acaba casando com Boaz. Dessa união, nasce Obed, pai de Jessé, pai do Rei David, este, pai de Salomão. Entretanto, temos aqui algumas tradições à observar… Diz-nos os textos sagrados :
“ Havia, pois, já de muito tempo este costume em Israel, quanto a remissão e permuta, para confirmar todo o negócio; o homem descalçava o sapato e o dava ao seu próximo; e isto era por testemunho em Israel. Disse, pois, o remidor a Boaz: Toma-a para ti. E descalçou o sapato.”
Rute 4:7,8

Encontramos algumas informações que muito nos importam… Uma história de viúvas, onde uma estranha – Rute – faz mudar toda sua vida, para acompanhar sua sogra, já velha e desamparada. Quantos de nós, estaríamos dispostos a fazer o mesmo para alguém próximo ? Lembremos, que Rute foi servir como colheitadeira de espigas ( Shibolet, em hebraico ) para sustentar a sogra…

Não obstante, precisamos adentrar um pouco além do que parece superficial, e aparentemente simples para entender parte de nosso ‘relacionamento’ com a Ordem. Em nossa recepção, dentre outras singularidades, uma especificamente chama-nos à atenção. Falo do pé descalço antes de adentrarmos em loja.
Muito já foi escrito, e inclusive alguns mencionam a orientação dada por D-us à Moises no Monte Sinai, para que o profeta se descalçasse uma vez que aquele terreno era santo. Também os muçulmanos, descalçam-se para suas orações. Muitas são as implicações e leis, na pratica de estar calçado ou descalço para as orações e pregarias. Mas, fica claro que descalçam-se ambos os pés, não existe ‘meio’ terreno sagrado, ou parte relativa do corpo à servir ao Criador.

Dentre os extensos tratados do Talmud, um especificamente faz tratar deste assunto em especificidade, falo de Yevamot. Baseado nos versículos de Deuteronômio, 25:5-10, ele trata de quando um irmão falece sem deixar filhos, tendo outro irmão ( yavam – cunhado ) deverá chegar-se à sua cunhada ( yevamah, em hebraico ) em casamento, para que seu irmão falecido, não fique sem descendência.

Nas escrituras sagradas vimos isto acontecer, no episódio de Judah e Tamar ( Genesis 38:8 ), quando esta ficando viúva de seus dois filhos, deita-se com o sogro para garantir a sua descendência.

Entretanto, a prática que queremos aqui tratar, chama-se ‘chalitzah’, como está escrito: “ Então sua cunhada deverá aproximar-se dele (cunhado) diante dos olhos dos anciãos; ela deverá retirar seu (dele) sapato e cuspirá no chão diante dele, deverá falar alto e dizer; ‘ Assim se fará ao homem, que não edifica a casa de seu irmão !’” Deuteronômio 25:9-10.

Em verdade, muitos dos conceitos aqui elencados, acabam trazendo uma mensagem de renascimento e continuidade, elementos como reencarnação e outros mais profundos, são tratados de maneira clara nos escritos da Gemara, porem este não é o escopo deste breve estudo. Maçonaria não é religião, e nem deve se deter nestes temas, ainda que em outros graus e estudos, tais considerações possam ajudar de muito.

O fato de parte de ‘nós’ se expor ao solo, enquanto outra permanece calçada, trazendo-nos desconforto e exposição de um lado, e de outro, pretensa segurança e tranquilidade. Também no ato de descalçar-se, vemos a prática que envolve o comprometimento com aquele que não mais está entre nós, e a garantia de sua continuidade através das gerações.

Tudo isso meus irmãos, vêm nos trazer luz do quão importante deve ser o legado que precisamos deixar neste mundo. Tão importante quanto a semente lançada ao solo e germinada, o crescimento e a direção que a mesma irá tomar, são tão ou mais importantes que a semente propriamente dita.

Nosso legado, talvez tenha chegado incólume trazido pelos mestres do passado, urge que revisitemos nossas origens, para que saibamos mais dos ricos ensinamentos que as brumas do tempo fizeram esconder, e uma vez conhecidos, possamos legar adiante fazendo mestres melhores do que nos fizeram.

Nossos pés, ainda estão descalços, a viúva chora pelos filhos que ainda precisam vir ! Continuemos em nosso trabalho.

~ por Rosemaat Abiff em 04/07/2016.

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