Os 72 Daemons da Goécia. Entidades relacionadas e associações simbólicas.

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Imagem: Baal-Hadad, desenho por Henri Faucher-Gudin.

 

1 – BAAL

Na Bíblia, em 1 Reis 18, Baal é descrito como um falso deus adorado em Israel. O profeta Elias realiza um milagre diante de seus adoradores, suplicando a seu Deus, o “Deus verdadeiro”, que incendeie um novilho esquartejado e molhado. Ao conseguir realizar o milagre, Elias leva os adoradores de Baal para o riacho de Quisom e os mata.

Dentro da iconografia judaico-cristã, provavelmente Baal seria o próprio Lúcifer, por este ser “O Senhor”, “O Rei”, vindo do lugar de onde nasce o Sol, consequentemente é o condutor da Luz que habita os céus (significado literal de Lúcifer, tradução latina da palavra hebraica הֵילֵל), ou a própria estrela que traz a luz (Sirius, estrela mais brilhante no céu noturno). Cabe ressaltar que, quando o homem migrou da África subsaariana para o Norte (Egito), esta estrela desapareceu gradualmente sob o horizonte, indo supostamente parar sob a Terra, o que pode ter originado o mito da queda de Lúcifer.

 

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Imagem: desenho por Irina a.k.a. FoxyAnt em Deviantart

2 – AGARES

Agares é um duque que está sob o poder do Leste, e aparece na forma de um belo homem montado em um crocodilo, com um falcão em seu punho, ou então na forma de uma bela mulher de cabelos louros. Ele tem o poder de conceder rapidez, ensinar línguas, causar tremores e quebrar dignidades. Também traz de volta coisas que se foram. Este daemon foi da ordem das Virtudes, e governa 31 legiões de espíritos.

O falcão está associado ao poder de visão, e o crocodilo ao domínio sobre as águas primordiais. Acreditava-se que o crocodilo era capaz de destruir seres em todos os planos, obliterando almas, e possuindo inclusive a capacidade de devorar o ritmo do tempo para que este não passasse (alegoria utilizada em Peter Pan, por exemplo).

 

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Imagem: Cipactli, gravura asteca.

3 – VASSAGO

Assim como outros daemons, Vassago aparece montado em um crocodilo. O crocodilo representa a capacidade de navegar nas águas primais, puxando suas presas para dentro delas, onde tem vantagens claras. Essa capacidade se reflete em conhecimento e visão do que está acontecendo, aconteceu ou acontecerá dentro do campo eletromagnético.

A deusa Asteca Cipactli incorpora esta característica, e o crocodilo é o primeiro signo do calendário, indicando o controle sobre a passagem do tempo e o início de novas dinastias. Diz-se que o bravo guerreiro Teocipactli (crocodilo divino) sobreviveu ao Grande Dilúvio e repovoou o planeta.

Em algumas versões da lenda, Cipactli também tinha características morfológicas de sapo e peixe, e possuía uma boca em cada uma de suas juntas. Em outras versões, foi morta e seu corpo foi utilizado para fazer a terra.

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Imagem: néter com cabeça de burro em um mural egípcio.

4 – SAMIGINA

Samigina aparece na forma de um cavalo ou burro, que representam a capacidade de carregar grandes pesos e auxiliar com provisões e como meio de transporte nas jornadas do magista.

O burro ou jumento foi um dos primeiros animais a serem domesticados pela humanidade, e além do significado de carregar provisões, era entendido no antigo Egito como representação do aspecto ctônio e material dos seres humanos.

As características de teimosia e falta de espiritualidade já eram associadas a este animal, que representava o ego. O controle do ego, então, era representado pelo humano montando o burro. Em algumas gravuras, a vitória do ide sobre o ego era representada por um jumento sendo morto de forma ritualística por vários néteres, comandados por Osíris.

 

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Imagem: néter com cabeça de leão em um mural egípcio.

5 – MARBAS

Maahes era um néter egípcio com cabeça de leão, associado à guerra, e Sekhmet era uma néter egípcia com cabeça de leoa, associada à medicina. Marbas aparece na forma de um leão, e provê auxílio em caso de doenças, como atribuição da medicina, e nas artes mecânicas, que podem fazer total diferença em guerras.

O leão tem como atributos a coragem, a realeza e o cuidado com os filhos, representando em sua forma masculina o pai líder do bando e em sua versão feminina a mãe super protetora. Na Bíblia, o leão é associado à justiça, punindo apenas os que não são merecedores do reino dos céus. É citado em vários versículos, e mesmo Jesus é descrito como o leão da tribo de Judá.

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Imagem: Valefor em “demônios da Goécia em quadrinhos”.

6 – VALEFOR

Valefor é um duque, que aparece gritando na forma de um leão com cabeça de burro. É um bom familiar, porém possui hábito de roubar e instigar pessoas a roubarem. Concede destreza e cura doenças, e governa 10 legiões de espíritos.

Valefor aparece na forma de um leão com cabeça de burro, e possui o talento de roubar, também instigando pessoas a roubarem. Pode conferir destreza e curar doenças.

A simbologia de Valefor é muito curiosa, por unir aspectos díspares como o leão (integridade) e o burro (ego descontrolado). Indica que, quando o magista talentoso e íntegro se deixa controlar pelo próprio ego, começa a realizar feitos desaconselháveis como o roubo. Porém, a destreza e a cura de doenças continuam sendo seus poderes, simbolizando os melhores atributos destes dois animais (caso suas energias sejam corretamente utilizadas).

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Imagem: Amon, na forma de carneiro, protegendo o rei; Travel Pictures Gallery.

7 – AMON

Amon pode aparecer de diferentes formas, e seu nome significa “o oculto” no antigo idioma egípcio. O deus Amon também possui várias formas de representação conforme a época, e durante a Era astrológica de Áries seu símbolo foi o carneiro.

A Era de Áries durou de 2000 antes de Cristo até o nascimento de Cristo, aproximadamente (ou 1.500 A.C. até 500 D.C, segundo outros autores). Sendo regido por Marte, o signo desta Era indicou uma tendência ao desenvolvimento bélico, o culto à valentia e as invasões de territórios. Nesta Era, o Egito foi invadido pelos romanos e teve seu declínio decretado em termos de cultura milenar e conhecimentos ocultos – parte deles não foi redescoberta até hoje. A arquitetura passou a ser mais leve, mais baseada em torres e pináculos se estendendo aos céus, e menos sólida e monolítica do que na Era precedente, de Touro.

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Imagem: mosaico romano representando Orfeu.

8 – BARBATOS

Barbatos aparece na forma de um homem com barba e cabelos brancos, podendo também ter asas. Este daemon ensina a compreender a língua dos animais e pode quebrar encantamentos que pairam sobre tesouros escondidos, além de aliviar sofrimentos.

A simbologia de Barbatos pode ser relacionada à de Orfeu, que conseguia encantar animais com a música de sua lira. Orfeu ajudou também a resolver diversas brigas no navio dos Argonautas, além de os livrar das sirenas com sua música.

A capacidade de quebrar a proteção de tesouros pode ser observada no mito acerca de como Orfeu tentou salvar Eurídice do Hades. Na ocasião, Orfeu teria adormecido Cérbero, que em última instância é um elemento mágico de proteção do próprio reino dos mortos. Com sua música, Orfeu também aliviou as dores dos condenados, outra característica comum a Barbatos.

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9 – PAIMON

Paimon é um rei do Oeste, da Ordem das Dominações. Aparece na forma de um homem com uma coroa sentado em um dromedário, com sons de instrumentos e trompetistas. Em algumas versões, aparece como um homem forte com traços femininos. Tem voz forte como um rugido, e de difícil compreensão.

Ensina sobre artes e ciências, sobre coisas secretas, sobre a terra e as águas, e sobre a mente. Fornece dignidades e familiares, e comanda pessoas às vontades do magista. Comanda 200 legiões de espíritos, e aparece junto a dois reis chamados LABAL e ABALI, entre outros da Ordem das Potestades, e 25 legiões.

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Imagem: Mural romano representando um centauro salvando uma centaura de animais selvagens.

10 – BUER

Buer aparece como um sagitário (centauro), ou como um leão com cinco patas de cabra. Ensina sobre filosofia, lógica e herbologia, sendo associado ao sábio professor de heróis mitológico, o centauro Quíron.

O simbolismo do centauro e da constelação de Sagitário relaciona-se ao homem (torso humano) dominando o poder primal (corpo de cavalo). Assim, consegue observar o mundo de forma lógica e concatenada, postulando preceitos filosóficos e sabendo manipular seu entorno da melhor forma possível. Utiliza o intelecto e a retórica acima de tudo.

Porém, pelo lado instintivo, o centauro apresenta aspectos animalescos que podem sair de controle ou se tornar exagerados. Esta dualidade faz com que também esteja relacionado a aspectos de raiva, violência e arrogância.

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11 – GUSION

Gusion aparece na forma de um Xenófilo, criatura híbrida que pode ser descrita ora como um extraterrestre, ora como uma mistura de animais. Este daemon fala sobre o passado, o presente e o futuro.

No Tarot de Marselha, a Roda da Fortuna é representada junto a seres híbridos que representam forças cósmicas ou forças primais que não possuem sendo moral, e agem sem finalidade específica. Caberia então ao magista ou ao consulente entender estas forças para decifrá-las (a esfinge também é relacionada a este aspecto, e representada em alguns Tarots).

Como a Roda da Fortuna, este daemon responde de forma direta sobre as coisas do jeito que foram, que são ou que serão, não realizando manipulações específicas em elementos do mundo físico além daquelas referentes à empatia de pessoas e mudança de status social. Assim, pode ser utilizado para mudar a sorte, fazendo a Roda da Fortuna girar.

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Imagem: Sitri no livro “demônios da Goécia em quadrinhos”

12 – SITRI

Sitri é um príncipe que governa 60 legiões. Aparece com cabeça de leopardo e asas de grifo ou águia, por vezes sendo comparado ao Set egípcio.

Pode ter sido derivado dos Nickar ou Nyx do Norte da Europa, espíritos metamorfos que espreitavam nos córregos. O nome Sitri pode estar relacionado ao islandês Bitr, “mordida”. Possui o poder de fazer com que pessoas se apaixonem, ou mostrar pessoas nuas caso assim desejado.

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Imagem: Albrecht Dürer – Cavaleiro, Morte, e o Diabo (1513).

13 – BELETH

Beleth aparece na forma de um soldado furioso sobre um cavalo pálido. Pode ser associado ao primeiro cavaleiro do apocalipse, Conquista.

Segundo Apocalipse 6:1,2: “E, havendo o Cordeiro aberto um dos selos, olhei, e ouvi um dos quatro animais, que dizia como em voz de trovão: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele tinha um arco; e foi-lhe dadauma coroa, e saiu vitorioso, e para vencer”.

Este daemon age conquistando o amor de mulheres, o que é uma das manifestações possíveis do aspecto de conquista

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Imagem: Leraje, por Mythology Wiki.

14 – LERAJE

Leraje é um marquês que governa 30 legiões. Aparece na forma de um arqueiro vestido de verde, ou como uma mulher com vestes egípcias. Pode influenciar o início de batalhas e causar ferimentos que não cicatrizam, ou cicatrizar feridas.

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Imagem: Gustave Doré – A morte no cavalo branco (1865).

15 – ELIGOS

Eligos aparece como um cavaleiro em um cavalo esquelético (ou em putrefação, sendo amarelo ou esverdeado). Pode ser relacionado ao quarto cavaleiro do apocalipse, Morte.

Segundo Apocalipse 6:7,8: “E, havendo aberto o quarto selo, ouvi a voz do quarto animal, que dizia: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo amarelo, e o que estava assentado sobre ele tinha por nome Morte; e o inferno o seguia; e foi-lhes dado poder para matar a quarta parte da terra, com espada, e com fome, e com peste, e com as feras da terra.”

Este cavaleiro traz a morte de várias formas, incluindo os resultados da ação dos outros cavaleiros – Conquista, Guerra e Fome. De fato, Eligos fornece auxílio na resolução de guerras, e pode finalizar contendas jurídicas.

Em breve, mais informações sobre Eligos e outros daemons.

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Imagem: Zepar, por Mythology Wiki.

16 – ZEPAR

Zepar é um duque que comanda 26 legiões, aparecendo com um soldado de armadura e vestes vermelhas. Traz o amor das pessoas, e pode torná-las estéreis. Também pode mudar a forma física das pessoas para fazer com que as outras se sintam atraídas.

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Imagem: Botis, por Mythology Wiki.

17 – BOTIS

Botis é um presidente e conde, que comanda 60 legiões e aparece na forma de uma víbora monstruosa, ou de um homem com chifres, dentes de víbora, e carregando uma espada. Também pode aparecer como um homem barbado com asas vermelhas. Fala sobre o passado e o futuro, e reconcilia amigos e inimigos.

Botis é um presidente e conde, que comanda 60 legiões e aparece na forma de uma víbora monstruosa, ou de um homem com chifres, dentes de víbora, e carregando uma espada. Também pode aparecer como um homem barbado com asas vermelhas.

Botis significa apenas “cobra”, e pode ter derivado de diversas entidades na forma de serpentes com chifres, dado que este animal do deserto tinha grande importância espiritual nas vertentes da África e Oriente Médio. Fala sobre o passado e o futuro, e reconcilia amigos e inimigos.

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Imagem: Bathin, por Mythology Wiki.

18 – BATHIN

Bathin é um duque que comanda 30 legiões. Aparece na forma de um homem forte com cauda de serpente, sobre um cavalo pálido, ou como uma mulher loura. Conhece sobre as ervas e as pedras preciosas, e pode teletransportar homens por grandes distâncias.

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Imagem: Saleos, por Mythology Wiki.

19 – SALEOS

Saleos é um duque poderoso, que governa 30 legiões de espíritos. Aparece na forma de um soldado montando um crocodilo, com uma coroa ducal em sua cabeça, e tem temperamento pacífico. Também descrito como tendo cabelos na cor laranja ou preta, conforme sua vontade, e aura dourada. Causa o amor entre homens e mulheres, podendo também agir sobre o desejo sexual e a fidelidade.

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Imagem: Purson, por Collin de Plancy.

20 – PURSON

Purson é um rei que comanda 22 legiões e aparece na forma de um homem com cabeça de leão, montado em um urso e segurando uma víbora em sua mão. Tem o poder de descobrir tesouros e falar sobre o passado, o presente e o futuro. Pode controlar um corpo humano ou etérico, e responde sobre coisas terrenas, secretas e divinas. Fornece bons familiares.

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Imagem: Moraxus, herói do jogo Heroes of Newerth.

21 – MARAX

Marax é um grande conde e presidente que comanda 30 legiões e aparece na forma de um touro com face de homem. Tem o poder de ensinar aos homens Astronomia, e outras ciências liberais. Concede, ainda, familiares bons e sábios, e conhece as virtudes das ervas e das pedras preciosas.

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Imagem: colar de Nekhbet, deusa egípcia na forma de um abutre.

22 – IPOS

Ipos é um conde e príncipe que comanda 36 legiões de espíritos. Pode aparecer na forma de um anjo com cabeça de leão, pés de ganso e cauda de lebre, ou como um leão com cabeça de abutre. Seus poderes são relacionados à sabedoria, em qualquer momento no tempo, conferindo também carisma, espirituosidade e audacidade.

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Imagem: selos de Aim e Melahel na Goécia de Dr. Rudd (conforme apresentados no livro de Skinner e Rankine)

23 – AIM

Aim é um daemon com poder de queimar cidades e castelos, e na Goécia segundo Dr. Rudd sua contraparte angelical é Melahel.

Melahel rege as águas, a terra fértil e mais especificamente as plantas necessárias para a cura de doenças. Neste caso, a capacidade de regular o poder do daemon Aim se apresenta de forma clara, já que apresenta aspectos de cura opostos à imolação causada pelo fogo do daemon.

A frase utilizada no selo (Salmo 121:8) diz “Iahweh guarda a tua partida e chegada, desde agora e para sempre”, aludindo ao caráter de proteção e cura do anjo Melahel, e protegendo o magista de possíveis ações não desejadas de Aim.

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Imagem: selos de Naberius e Haheuiah na Goécia de Dr. Rudd (conforme apresentados no livro de Skinner e Rankine)

 

24 – NABERIUS
Naberius, ou Cérbero, é um daemon que ensina sobre artes e ciências, especialmente a retórica, recuperando também dignidades e honras. É balanceado pelo poder do anjo Haheuiah (também chamado Haiviah ou Chevaiah).

Haheuiah governa exilados e fugitivos, protege contra animais, ladrões e assassinos, e preza pela sinceridade e pelas ciências exatas. A proteção contra animais e a busca da sinceridade tornam este anjo útil contra possíveis enganações ou ambiguidades utilizadas pelo daemon Naberius, que é versado na arte da retórica.

A frase utilizada no selo (Salmo 147:11) diz “Iahweh aprecia aqueles que o temem, aqueles que esperam o seu amor”. Este salmo contém um elemento muito presente no Antigo Testamento, que é o ato de temer a Deus mas ao mesmo tempo considerá-lo benévolo e esperar seu amor, algo somente alcançado por meio do entendimento de seu vasto poder. Assim o magista alcançará a proteção necessária para lidar com o daemon.

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Imagem: selos de Glasya-Labolas e Nithaiah na Goécia de Dr. Rudd (conforme apresentados no livro de Skinner e Rankine)

25 – GLASYA-LABOLAS

Glasya-Labolas é um daemon com poder de ensinar artes e ciências, e também causar assassinatos e derramamento de sangue, além de conhecer o passado, o presente e o futuro, e causar amor entre amigos ou inimigos. Sua contraparte angelical é Nithaiah.

O anjo Nithaiah é associado às ciências ocultas e à descoberta de tesouros, e influencia os homens que buscam a paz. A busca pela paz é capaz de balancear os assassinatos e o derramamento de sangue que podem vir a ser causados por Glasya-Labolas, além de ser análoga à busca do amor entre amigos e mesmo entre inimigos, evitando conflitos.

A frase utilizada no selo (Salmo 9:2) diz “Eu te celebro, Iahweh, de todo o coração, enumero todas as tuas maravilhas!”. O reconhecimento das maravilhas de Deus pode se aplicar também àquelas que necessitam de conhecimento oculto para serem compreendidas e acessadas, e as artes ocultas, assim como seus praticantes, são protegidos por Nithaiah.

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Imagem: selos de Bune e Haaiah na Goécia de Dr. Rudd (conforme apresentados no livro de Skinner e Rankine)

26 – BUNE

Bune, ou Bime, é capaz de trocar os lugares onde estão enterrados os mortos, reunindo seus espíritos sobre os sepulcros caso assim seja desejado. Também fornece respostas verdadeiras ao magista, ou torna-o sábio e eloquente. O anjo correspondente é Haaiah.

Haaiah protege aqueles que buscam a verdade, influenciando em julgamentos, política, diplomacia e mesmo em expedições secretas. Seu atributo é o do Deus que ouve a tudo, oculto. A ocultação de cadáveres permitida pelo daemon tem clara analogia com os atributos deste anjo, que a contrapõem e regulam. Além disso, a arte da diplomacia é algo que necessita da eloquência fornecida pelo daemon.

A frase utilizada no selo (Salmo 119:145) diz “clamo de todo o coração, responde-me, Iahweh, eu observarei teus estatutos”. Os estatutos se referem às leis estabelecidas em um nível amplo e universal, buscando sempre o equilíbrio e a verdade, sem utilização de disfarces ou mentiras pelo daemon.

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Imagem: selos de Ronove e Yeratel na Goécia de Dr. Rudd (conforme apresentados no livro de Skinner e Rankine)

27 – RONOVE

Ronove possui o poder de ensinar retórica e línguas, além de conceder favores de amigos ou inimigos. É correspondente ao anjo Yeratel.

O anjo Yeratel protege contra acusações injustas, também removendo presenças malignas do entorno do magista, e influenciando o estudo de literaturas, analogamente ao ensino de línguas que pode ser fornecido pelo daemon. Este anjo também confunde as pessoas com más intenções, o que pode ser conseguido pelo magista com uma boa retórica e intenção correta.

A frase utilizada no selo (Salmo 140:2) diz “Iahweh, salva-me do homem perverso, defende-me do homem violento”. A retórica e o ensino de línguas podem permitir ao magista conciliar situações adversas e se safar da violência baseando-se na conversa e na compreensão mútua.

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Imagem: Albrecht Durer – Os quatro Cavaleiros do Apocalipse (1497).

28 – BERITH

Berith aparece como um soldado com roupa vermelha e coroa, montado sobre um cavalo vermelho. Pode ser relacionado ao segundo cavaleiro do Apocalipse, Guerra.

Segundo Apocalipse 6:3,4: “E, havendo aberto o segundo selo, ouvi o segundo animal, dizendo: Vem, e vê. E saiu outro cavalo, vermelho; e ao que estava assentado sobre ele foi dado que tirasse a paz da terra, e que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada”.

Um dos poderes atribuídos a Berith é o de conceder dignidades e honras, o que pode ser possível por meio de vitória em guerras.

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Imagem: Astaroth em “demônios da goécia em quadrinhos”

29 – ASTAROTH

Astaroth é um poderoso duque que comanda 40 legiões de espíritos. Aparece como um belo anjo montado em uma criatura infernal na forma de dragão, carregando uma víbora em sua mão. Pode também aparecer como uma bela mulher, ou uma aranha.

Provavelmente derivada de Athirat e/ou entidades correlatas, fornece respostas verdadeiras para assuntos do passado, presente e futuro, e pode descobrir segredos. Pode falar sobre como os espíritos caíram, e como ele próprio teve sua queda, além de tornar os homens muito sábios em todas as ciências liberais.

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Imagem: xilogravura de Andrea Alciato, 1531

30 – FORNEUS

Aparecendo na forma de um monstro marinho, Forneus ou Proteus foi originalmente um deus marinho da mitologia grega. Era filho de Tétis e Oceano, sendo pastor dos rebanhos de Poseidon.

Este daemon concede conhecimento sobre línguas e dialetos, atuando também sobre a negociação e o comércio – que está intimamente ligado aos mares e à sua travessia. Diz-se que Proteus sabia do futuro,porém se transformava em um monstro marinho para se certificar de que os humanos que conseguissem chegar até ele fossem corajosos e merecedores.

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31 – FORAS

Foras é um poderoso presidente que comanda 29 legiões de espíritos. Aparece na forma de um forte homem e ensina sobre as virtudes das ervas e pedras preciosas, lógica e retórica. Caso desejado, pode tornar os homens invisíveis, sagazes e eloquentes, assim como aumentar seu tempo de vida. Pode descobrir tesouros escondidos e recuperar coisas perdidas.

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32 – ASMODAY

Asmoday é um rei que comanda 72 legiões. Aparece com três cabeças; uma de touro, uma de homem e uma de carneiro, com cauda de serpente e vomitando labaredas de fogo pela boca. Asmodeu concede o anel das Virtudes, ensina aritmética, geometria, astronomia e artes manuais, torna os homens invisíveis e mostra tesouros, também guardando-os.

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33 – GAAP

Gaap é um presidente e príncipe que comanda 66 legiões. Surge na forma de um humano, seguido por quatro grandes reis. Torna os homens insensíveis, ensina filosofia e ciências liberais, causa amor ou ódio, ensina como consagrar objetos e concede familiares ou os liberta. Fala sobre passado, presentes e futuro e teletransporta pessoas.

Imagem: Gaap, no baralho Daemons

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Imagem: Furfur em “demônios da goécia em quadrinhos”

34 – FURFUR

Furfur é um Conde que comanda 26 legiões de espíritos. Aparece como um cervo com cauda de fogo e não comunica a verdade a menos que compelido e levado para dentro de um triângulo.

Quando no triângulo, Furfur toma a forma de um anjo, e pode convocar trovões, raios e grandes tempestades. Responde sobre coisas secretas e divinas, caso comandado.

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Imagem: paraíso perdido por Auladell

35 – MARCHOSIAS

Marchosias ou Marchocias aparece como um Lobo com asas e cauda de cobra. Já fazia parte da Pseudomonarchia, e tem poderes de luta, principalmente artes marciais. Um detalhe interessante mencionado nos grimórios é o de que Marchosias fazia parte da hoste celeste dos Domínios, e acredita que voltará a este posto no futuro.

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Imagem: ilustração de Collin de Plancy, no Diccionario infernal

36 – STOLAS

Stolas aparece na forma de uma coruja com uma coroa e pernas longas. Ensina sobre astronomia, ervas medicinais e pedras preciosas.

A gematria de seu nome resulta em 351, unindo o poder das interações no campo eletromagnético (3), da manifestação da vida (5) e do início de tudo, pela diferenciação do caos (1). O valor 351 pode ser reduzido a 9, indicando o fim de uma jornada de autoconhecimento, completando três tríades (plenitude nos reinos físico, mental e espiritual).

No tarot, Stolas pode ser relacionado ao Eremita (que também é a carta número 9), devido a seus conhecimentos profundos sobre o mundo e indicação de caminhos ao magista. De forma geral, a coruja está associada à sabedoria e ao ofício de ensinar, tendo sido usada como símbolo para a área da pedagogia.

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37 – PHENEX

Phenex é um grande marquês que comanda 20 legiões de espíritos. Aparece como um pássaro de fogo com voz de criança, e canta notas suaves diante do magista. Pode ser transformado para uma forma humana caso desejado. Fala maravilhosamente bem sobre todas as ciências, além de ser um ótimo poeta.

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38 – HALPHAS

Halphas é um grande Conde que comanda 26 legiões de espíritos. Aparece na forma de uma pomba selvagem e fala com voz rouca. Tem o poder de construir torres e prover a elas munição e armas, também enviando homens para a guerra em lugares apontados pelo magista.

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Imagem: gravura em cobre de Paulus Fürst Excud representando um Dr. Praga, Roma, 1656

39 – MALPHAS

Do latim Malefi – fetiçaria. Malphas atua garantindo o ocultamento do magista, assim como sua proteção em casas e torres elevadas. Este daemon geralmente solicita sacrifícios por seus trabalhos.

Seu simbolismo é análogo ao dos doutores-praga (plague doctors), alegoria utilizada no carnaval de Veneza e citada amplamente na cultura Steampunk. As máscaras em formato de corvo eram utilizadas para a proteção em relação a doenças transmitidas pelo ar, assim como possíveis ataques químicos ou biológicos.

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40 – RAUM

Raum é um grande Conde que comanda 30 legiões. Aparece na forma de um corvo e se apresenta como humano caso o magista solicite. Tem o poder de roubar tesouros das casas dos Reis e carregá-los até onde for comandado. Destrói cidades e as dignidades dos homens, e fala sobre o passado, o presente e o futuro, causando também o amor entre amigos e inimigos.

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41 – FOCALOR

Focalor é um Duque que comanda 30 legiões. Aparece na forma de um homem com asas de grifo, e tem o poder de matar homens afogados. Também faz com que caiam de navios de guerra, comandando os mares e os ventos. Porém, apenas faz mal aos homens que o magista escolher, e pode formar tempestades deixando outros homens sãos e salvos.

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Imagem: sereia bicaudal apresentada no Naturalis Historia, 1565.

42 – VEPAR

Vepar aparece na forma de uma sereia, guiando e ocultando navios. Também chamado Separ, pode ter sido derivado das Sírens (entidades que atraíam os navegantes para devorá-los, na mitologia grega), bem como das Ondinas (entidades da água, na alquimia).

Na cultura popular, as sereias de uma ou duas caudas são referenciadas no conto de Ariel (a Pequena Sereia) e no logotipo da rede de cafés Starbucks, entre várias outras referências. Até hoje, as sereias são esculpidas e presas à frente de navios para servirem como guias no oceano (este também é um dos poderes de Vepar).

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43 – SABNOCK

Sabnock é um Marquês que comanda 50 legiões de espíritos. Aparece como um soldado armado, com cabeça de leão, sobre um cavalo branco. Constrói torres, castelos e cidades, e fornece armas para as construções. Também aflige homens com feridas putrefatas cheias de vermes, por vários dias, e fornece bons familiares.

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Imagem: paraíso perdido por Auladell

44 – SHAX

Shax ou Scox aparece como uma pomba selvagem, cegonha ou íbis, sendo um Marquês na Pseudomonarchia e também na Goécia. Uma de suas habilidades principais é a de roubar dinheiro da casa de Reis, e sua personalidade é evasiva e ríspida, a menos que evocado em um triângulo

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Imagem: Viktor Vasnetsov – Os quatro Cavaleiros do Apocalipse (1887).

45 – VINE

Vine aparece como um leão montado em um cavalo negro. Pode ser relacionado ao terceiro cavaleiro do Apocalipse, Fome.

Segundo Apocalipse 6:5,6: “E, havendo aberto o terceiro selo, ouvi dizer o terceiro animal: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo preto e o que sobre ele estava assentado tinha uma balança em sua mão. E ouvi uma voz no meio dos quatro animais, que dizia: Uma medida de trigo por um dinheiro, e três medidas de cevada por um dinheiro; e não danifiques o azeite e o vinho”.

Um dos poderes atribuídos a Vine é o de construir torres e paredes de pedra, segregando as classes sociais e protegendo as posses e mantimentos (materiais ou espirituais) do magista.

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46 – BIFRONS

Bifrons é um Conde que comanda 60 legiões de espíritos. Aparece na forma de um monstro ou lagosta, mas após o comando do magista se apresenta na forma humana. Ensina astrologia e geometria, assim como outras artes e ciências e as virtudes das pedras e madeiras. Muda os lugares dos cadáveres, acendendo uma luz sobre seus túmulos.

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Imagem: camelo solitário, por Aaron Miller – Magic: the Gathering.

47 – VUAL

Vual, também chamado Vual, Uvuall, ou Voval, aparece na forma de um dromedário, provendo amor, favores de amigos ou inimigos, e falando sobre passado, presente e futuro.

A simbologia do dromedário está relacionada à jornada de autoconhecimento e à preparação para enfrentar o mundo. Mesmo vagando pelo deserto, seu estoque energético é suficiente para retornar em segurança, com uma outra visão sobre o mundo, e evoluído espiritualmente.

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Imagem: Dashinvaine (deviantart) – Xilogravura alquímica de Hagenti.

48 – HAGENTI

Hagenti aparece como um touro com asas de grifo, e seus poderes principais são o da sabedoria e o de transformar metais em ouro. Esta habilidade pode ser comparada à Grande Obra dos Alquimistas, que consistia em purificar a mente para obter o melhor resultado possível.

A simbologia do touro como elemento firme, material, físico, aliada à das asas de grifo, que representam a evolução e a transcendência, permitem elevar o estado de qualquer metal, por menos nobre que seja, ao ouro alquímico. Metaforicamente, isto se aplica aos sentimentos e às emoções, que também podem ser transmutados.

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49 – CROCELL

Crocell é um duque que comanda 48 legiões de espíritos. Aparece na forma de um anjo, e fala de forma mística sobre coisas escondidas, ensinando geometria e artes liberais. Ao comando do magista, pode fazer barulhos tremendos de água corrente (mesmo que não haja nenhuma), aquecer águas ou mudar sua temperatura.

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Imagem: paraíso perdido por Auladell

50 – FURCAS

Forcas ou Furcas aparece como um cavaleiro sábio e ancião sobre um cavalo. Era um presidente na Pseudomonarchia, mas se torna o único com cargo de “Cavaleiro” na Goécia. Segundo Skinner e Rankine, este cargo hierárquico pode advir de uma confusão com sua forma de manifestação, sendo Furcas um Duque (que geralmente são cavaleiros).

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Imagem: paraíso perdido por Auladell

51 – BALAM

Balam é um rei que aparece com uma cabeça de homem e/ou outras duas de touro e de carneiro. Na Pseudomonarchia, também é citado como príncipe. Pode ter derivado do profeta bíblico e influenciador de massas Balaão.

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Imagem: Alloces, em “demônios da Goécia em quadrinhos”.

52 – ALLOCES

Alloces é um duque que comanda 36 legiões de espíritos. Aparece como um soldado montado em um grande cavalo, com olhos flamejantes e o rosto vermelho de um leão. Fala de forma rouca e alta.

Pode ter derivado de Alastor, um demônio ou uma classe de espíritos de vingança. Ensina astronomia e ciências liberais, também fornecendo bons familiares.

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Imagem: paraíso perdido por Auladell

53 – CAMIO

Caym ou Camio, já presente na Pseudomomarchia, aparece como um tordo com uma espada afiada em suas mãos. Sua principal habilidade é a de ensinar a entender os sons das águas e as vozes dos animais, principalmente pássaros.

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54 – MURMUR

Murmur é um duque que comanda 30 legiões de espíritos. Aparece na forma de um soldado montado em um grifo com uma coroa ducal sobre a cabeça. à sua frente, surgem seus ministros, tocando trompetes. Ensina perfeitamente filosofia, e traz almas falecidas a se apresentarem à frente do magista, para que respondam ao que for perguntado.

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55 – OROBAS

Orobas é um príncipe que comanda 26 legiões. Aparece como um cavalo ou um homem com rosto de cavalo. Descobre sobre o passado, presente e futuro, fornece dignidades ou cargos eclesiásticos, assim como os favores de amigos ou inimigos. Responde sobre divindades, teologia, e a criação do mundo. É muito fiel ao magista e pode protegê-lo.

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Imagem: Gremory em “demônios da Goécia em quadrinhos”

56 – GREMORY

Gremory é um poderoso Duque que comanda 26 legiões de espíritos. Aparece na forma de uma bela mulher com uma coroa de duquesa em sua cabeça ou cintura, montada em um grande camelo.

Tem grande similaridade com deuses protetores das caravanas, como os gêmeos Azizos e Arsu. Fala sobre passado, presente e futuro, e onde estão escondidos tesouros. Também traz o amor de mulheres jovens e velhas.

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57 – OSE

Ose é um presidente que comanda 30 legiões. Aparece como um leopardo e toma a forma humana. Pode tornar os homens habilidosos nas ciências liberais e responder sobre divindades e coisas secretas. Pode mudar a forma dos homens para qualquer forma desejada, de forma que o alvo ache realmente que é aquela a sua forma verdadeira.

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Imagem: paraíso perdido por Auladell

58 – AMY

Amy aparece na forma de uma labareda de fogo e posteriormente toma forma humana. Tem a interessante habilidade de roubar tesouros que estejam guardados por espíritos, ou tenham sido protegidos por outros magistas.

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59 – ORIAS

Orias é um marquês que comanda 30 legiões de espíritos. Aparece na forma de um leão sobre um forte cavalo, com cauda de serpente, segurando duas serpentes em suas mãos. Ensina as virtudes das estrelas e as casas dos planetas no céu. Concede favores de amigos e inimigos, transforma os homens e fornece dignidades.

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Imagem: Leão monstruoso em “demônios da Goécia em quadrinhos”.

60 – VAPULA

Vapula é um presidente que comanda 36 legiões de espíritos. Aparece como um leão com asas de grifo, torna os homens conhecedores de todos os artifícios e profissões, e também em filosofia e outras ciências.

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Imagem: paraíso perdido por Auladell

61. ZAGAN

Aparece como um touro com asas de grifo, e tem o poder de transformar vinho em água ou água em vinho. Pode ter derivado do antigo Deus Dagon, que tinha a forma de um touro alado com cabeça humana, mas que depois tomou forma de peixe devido à proximidade de seu nome com a palavra Dhâg (peixe).

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Imagem: Valac, no baralho Daemons

62 – VALAC

Valac é um Presidente que governa 30 legiões de espíritos. Aparece como um menino com asas de anjo montado em um dragão de duas cabeças, podendo responder verdadeiramente sobre tesouros escondidos, e dizer onde é possível encontrar serpentes, assim como encontrá-las e entregá-las ao magista sem esforço ou trabalho.

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Imagem: paraíso perdido por Auladell

63 – ANDRAS

Andras aparece como um anjo com cabeça de corvo ou coruja, montado em um Lobo. Pode espalhar a discórdia e tende a colocar o mestre e seus discípulos uns contra os outros, devendo portanto ser evocado com cuidado.

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64 – HAURES

Haures é um duque que governa 36 legiões. Aparece como um leopardo ou humano com olhos flamejantes e semblante terrível. Fala sobre o passado, o presente e o futuro, mas pode mentir quando fora do triângulo. Fala sobre divindades e sua queda, e sobre a criação do mundo. Queima ou causa tentações em pessoas, quando comandado

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Imagem: emblema de Melek Taus na cultura Iázidi.

65 – ANDREALPHUS

Andrealphus aparece na forma de um pavão, e está relacionado à onisciência devido aos mil olhos em sua cauda. Provavelmente, foi baseado em Melek Taus, um anjo que segundo a cultura Iázidi ajudou a criar o mundo a partir do ovo cósmico, comanda os outros anjos primais, e se manifesta como um pavão.

Durante a criação do mundo, foi dada a este anjo a escolha de se curvar ou não aos humanos. Melek Taus decidiu não se curvar, por isso estende sua cauda mostrando superioridade ao ver humanos de maior estatura (reação comum dos pavões).

 

 

 

 

 

 

 

Andrealphus aparece geralmente na forma de um pavão. Este animal está relacionado ao poder de onisciência, vendo tudo com os olhos presentes em sua cauda, característica associada aos deuses solares e aos deuses celestes ao longo da história. Odin observava todos os nove mundos do topo da Yggdrasil, Helios e Apolo observavam a Terra de sua carruagem solar, Zeus, de seu trono, observava a Guerra de Tróia e também teria visto e ignorado o rapto de sua filha Perséfone pelo Deus Hades.

O pavão também é um dos animais familiares de Krishna, simbolizando sua onisciência, e a montaria de Skanda, filho de Shiva e Parvati e de Saraswati, consorte de Brahma e deusa da sabedoria, podendo ainda ser associado à ilusão de Maya. O Pavão carrega em si as características de nobreza, glória e orgulho. A criatura também tem a si atribuída a imunidade aos venenos, e acredita-se que as cores brilhantes de sua cauda são resultado das toxinas consumidas pela ave.

Como possibilita compreender o cosmos e suas medidas, assim como o movimento dos planetas e o significado oculto das formas, este daemon está relacionado à onisciência, permeando por todo o campo etérico e obtendo conhecimento sobre qualquer parte do universo, podendo seus olhos conhecer cada pequena parcela do macrocosmos.

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66 – CIMEIES

Cimeies é um poderoso marquês que comanda 20 legiões e aparece como um valoroso soldado montado em um cavalo negro. Reina sobre os espíritos na região da África, e pode ensinar gramática, lógica, retórica, e descobrir tesouros e coisas escondidas ou perdidas. Pode fazer os homens se parecerem com soldados, à sua própria aparência.

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Imagem: Virgem e unicórnio – Annibale Carracci, 1602.

67 – AMDUSIAS

Os unicórnios (forma de manifestação de Amdusias) são descritos na mitologia de diversas culturas. Podem variar de forma, sendo até animais diferentes, porém mantendo a característica do único chifre que sai de sua cabeça.

Alguns exemplos de unicórnios mitológicos são Qilin (unicórnio chinês), Al-mi’raj (unicórnio árabe), Indrik (unicórnio russo), Camahueto (unicórnio chileno) e Shadhavar (unicórnio persa). Na Bíblia, os animais hebraicos Re’em e Tahash foram comparados a unicórnios, e inclusive traduzidos como tal nas versões mais usuais do livro.

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Imagem: Dashinvaine (deviantart) – Xilogravura alquímica de Abraxas.

69 – DECARABIA

Decarabia aparece como uma estrela sobre um pentáculo. Também é a antiga divindade Abraxas ou Abrasax, que nesta manifestação podia aparecer como um homem com cabeça de galo e serpentes nas pernas.

Abraxas é a personificação da magia, unindo a simbologia das serpentes (também presentes no bastão de Esculápio) à do galo cósmico do Alcorão. A palavra de poder ABRACADABRA (muito próxima de Abraxas e Decarabia) pode ser relacionada a esta entidade.

Em algumas crenças, como o gnosticismo Basilidiano, Abraxas era o Deus supremo, o arquétipo primeiro que se diferenciou do nada para criar o universo. Seu nome era gravado em pedras para os mais variados fins, como proteção ou auxílio na canalização de energias.

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Imagem: ilustração de Seere, autor desconhecido.

70 – SEERE

Seere aparece na forma de um homem sobre um cavalo alado, trazendo abundância, percorrendo grandes distâncias em pouco tempo, e revelando segredos ao magista.

Na língua comum, a gematria de Seere é 185. A simbologia do uno (1), aliada à da evolução (5), se complementam e junto ao poder do infinito (8) são capazes de conferir tudo o que o magista deseja, além de influenciar a continuidade de tudo o que é cíclico em várias esferas.

O número 185 se reduz para 14, indicando o magista com os quatro itens que possibilitam sua evolução (1 + 4 = 5). Neste sentido, o magista em comunhão com Seere se relaciona com o mago do Tarot, sendo provido com abundância nos aspectos de terra, água, fogo e ar que são necessários para o início de sua jornada.

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Imagem: ilustração de Dantalion, autor desconhecido.

71 – DANTALION

Dantalion (o duradouro, o eterno) tem a fisionomia de vários homens e mulheres conhecidos do magista. Auxilia na visualização de qualquer pessoa, promove o amor, e transmite conhecimentos por meio do livro que traz em suas mãos.

Na língua comum, a gematria de Dantalion é 265, indicando que possui caráter dual, é relacionado ao amor incondicional e à evolução. O número 2 é associado à sacerdotisa no Tarot, que guarda a entrada do véu para o inconsciente, e também carrega um livro em suas mãos. O Arcano Hierofante, de número 5, atua na evolução por meio do conhecimento formal, e também pode carregar um livro em suas mãos. No caso do 6, os enamorados estão relacionados ao poder de promover o amor.

O número 265 se reduz para 13, que por sua vez se reduz para 4. O magista (1) que possui conhecimento e controle sobre a interação (3) entre as energias realmente possui todas as ferramentas das quais necessita para atuar no Cosmos, se sentindo completo (4).

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Imagem: ilustração de Andromalius, autor desconhecido.

72 – ANDROMALIUS

Andromalius (homem mau) aparece na forma de um homem segurando uma serpente. Ele possui controle sobre os que fazem o mal, podendo trazer de volta ladrões junto com os itens que foram roubados.

Na língua comum, a gematria de Andromalius resulta em 525. O 5 representa a transgressão no sentido de evolução a partir de uma ordem pré-estabelecida. Representa também a vida em todas as suas possibilidades, e a própria centelha divina. O 2 representa a dualidade, sendo Andromalius o próprio homem mau que luta e domina a maldade, trazendo a serpente em sua mão. De fato, diversas culturas possuem deuses que lutam contra seus inimigos e absorvem aspectos dos mesmos, se tornando eles próprios duais em sua essência – o arquétipo do herói gêmeo (Twins), de Jung.

O número 525 se reduz para 12, unindo o poder do uno e da dualidade em um só. Mais uma vez, se verifica a união dos dois aspectos em um. A redução para 3 indica este equilíbrio, a interação entre suas duas facetas em busca de um denominador comum.

Visite também o site! www.daemons.com.br

 

 

~ por Rosemaat Abiff em 02/07/2019.

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