Entrevista com Adeptos.

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André, é um prazer receber você aqui no Blog Pelotas Occulta, essa eu considero uma das mais importantes entrevistas do blog, eu realmente acompanho o seu trabalho desde o princípio e acho ele completamente diferente e pioneiro, é algo novo em relação aos outros canais que abordam o tema, tens uma perspectiva e uma abordagem que vai na contramão da grande massa ou da youtubesfera…

R. O prazer é todo meu. Agradeço muito o convite e espero poder contribuir para informar os prezados leitores do Blog Pelotas Occulta. É bondade sua considerar que minha entrevista seja uma das mais importantes do canal.

1) André como surgiu a ideia de criar o “Transcendência”?

R. O Canal Transcendência surgiu da ideia de que as mídias audiovisuais hoje têm uma penetração muito maior que a mídia impressa. Muito mais gente está disposta a assistir um vídeo no Youtube do que a ler um artigo ou um livro. Sendo assim, e para ser um contraponto à enorme quantidade de pessoas sem qualquer formação adequada que se dispõem a fazer vídeos, e publicá-los como se fossem ensinamentos confiáveis, pensei que era necessário ter um canal onde informações confiáveis, embasadas, com fontes adequadas etc., pudessem servir de antídoto ao veneno da ignorância. No entanto, não nutro grandes expectativas quanto ao alcance do canal. Não é um canal feito para ser “popular”, mas uma porta aberta para umas poucas pessoas que têm real desejo pelo conhecimento.

2) Você e o Luis Müller (Canal Fatos Maçônicos) começaram juntos? Além de Irmãos Maçons vocês são amigos de longa data? Acho que cheguei a ver algum vídeo do “Transcendência” com o Luís.

R. O Irmão Luis Müller e eu nos conhecemos em 2016, por ocasião da fundação de um Capítulo do Rito Moderno em Curitiba, Paraná. Um Capítulo do Rito Moderno, para os leitores não familiarizados com o vocabulário maçônico, é um grupo de maçons que estão trabalhando as Ordens Superiores, chamadas, em outros Ritos, de Graus Superiores. Nas Lojas Simbólicas, que é o grupo base da Maçonaria, são trabalhados os Graus Simbólicos de Aprendiz, Companheiro e Mestre. Então, para se receber os Graus acima do Grau 3 (o Grau de Mestre Maçom) é preciso se filiar a um Capítulo. No Rito Moderno, se trabalham 4 Ordens Superiores nos Capítulos: Eleito, Grande Eleito Escocês, Cavaleiro do Oriente ou da Espada e Soberano Príncipe Rosa-Cruz. No Rito Escocês Antigo e Aceito, por exemplo, no Capítulo são trabalhados os Graus 15 ao 18. Sendo assim, em Curitiba não havia Capítulo do Rito Moderno e uma comitiva do Supremo Conselho Filosófico do Rito Moderno do Brasil, no qual ainda ocupo o cargo de Grande Secretário Geral de Educação, Cultura e Orientação Ritualística, se deslocou para Curitiba para fundar lá um Capítulo do Rito Moderno. Por questões de transporte aéreo, minha chegada a Curitiba acabou se dando um dia antes da do resto da comitiva. O Irmão Müller era um dos organizadores do evento e, na noite da data em que cheguei a Curitiba, dei uma palestra na Loja Simbólica do Irmão Müller, que pratica o Rito Adonhiramita. Depois de muitas conversas, fomos nos identificando cada dia mais. O Irmão Müller tem uma longa jornada de pesquisador também e várias obras publicadas. Depois disso, nos encontramos novamente em Brasília, quando ele foi receber o Grau Kadosh (primeira parte da 5ª Ordem do Rito Moderno) e, mais uma vez, quando ele foi a Santos, no litoral de São Paulo, receber o Grau de Cavaleiro da Sapiência (segunda parte da 5ª Ordem, último Grau do Rito Moderno). Tive o prazer de ser o Mestre de Cerimônias nesse dia e conduzi o nosso Irmão Müller para receber o grau supremo do Rito Moderno. De lá para cá, nossa amizade e respeito mútuo só têm aumentado. Fundamos juntos a “Escola da Tradição Primordial”, uma escola virtual que procura transmitir ensinamentos seguros sobre todos os temas que envolvam a Metafísica, as religiões, as tradições iniciáticas, esoterismo, ciências tradicionais etc.

3) Pelo que vi em seus vídeos você teve uma criação cristã e um forte vínculo com os monarcas brasileiros, como essa criação te influenciou? Ela foi responsável pelo seu caminho até o budismo?

R. Minha família paterna é oriunda dos Monizes de Portugal, uma família antiga, com registros que remontam a Idade Média e com fortes vínculos com a Monarquia. Meu primeiro antepassado que chegou ao Brasil, ainda no século XVIII, Pedro José Muniz (a grafia do nome foi alterada nos registros brasileiros), veio da Ilha de São Miguel, em Açores e se fixou no sul de Minas Gerais, numa região que daria origem a três cidades, Campestre, Bandeira do Sul e Poços de Caldas. O filho dele, meu tetravô, Francisco José Muniz em 1832 tornou-se capitão da Guarda Nacional. A Guarda Nacional tinha vínculos fortes com a Monarquia Brasileira. Meu trisavô, nascido em 1806, foi registrado como alferes da Guarda-Nacional em 1859, e meu bisavô, Antônio José Muniz, foi major da Guarda-Nacional em um período de transição entre Monarquia e República. Sua posição, obviamente, tendia fortemente à Monarquia e foi assim que criou os filhos, dentre eles o meu avô Octávio Fernandes Muniz, com o qual convivi até meus 16 anos de idade. Meu bisavô e meu avô conheciam o casal monarquista Corrêa de Oliveira (João Paulo e Lucília), que frequentavam a região de Poços de Caldas, no sul de MG, cujo filho, Plínio Corrêa de Oliveira, era 8 anos mais novo que meu avô. Plínio viria a fundar a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade e meu avô via com bons olhos o movimento, acreditando que era algo profundamente católico e monarquista. Recomendava que eu os frequentasse e ajudasse no movimento em prol da volta da Monarquia. O catolicismo de meu avô era muito sincero e profundo, com uma tendência um tanto acentuada a ver as reformas do Concílio Vaticano II com muitas reservas. Com ele aprendi a rezar o rosário em latim e, com onze anos de idade, queria ser padre e monge católico. Minha avó paterna, Rita Amélia Ducca Muniz, tinha ascendência greco-italiana. A família Ducca era da antiga nobreza bizantina e tinha se estabelecido na Itália há vários séculos. Isso me fez ter um acentuado interesse pela cultura bizantina, a língua grega e a Igreja Ortodoxa. Esses estudos começaram a me dar uma perspectiva diferente daquilo que me era passado nos meios católicos romanos e também me afastou da mentalidade da TFP e do movimento pro-monarquia, apesar de ser monarquista até hoje, num plano meramente ideológico e sem ativismo nenhum, não compactuando em nada com o que é proposto pelo atual Ramo Vassouras dos Órleans e Bragança que, a meu ver, é uma visão sectária e alimentada pelas teorias de Plínio Corrêa de Oliveira. Fui membro da Associação da Nobreza Histórica do Brasil, um grupo que reunia descendentes de nobres e era capitaneado por Luiz de Órleans e Bragança. Sou ainda membro da “The International Comission and Association on Nobility” (TICAN) na categoria “Nobility Membership” e também Cavaleiro da Ordem da Coroa do Reino da Geórgia, cujo chefe é o Príncipe Nugzar Bagrationi Gruzinsky, sucessor do Rei George XII, último rei da Geórgia, ou seja, ainda tenho lá alguns vínculos com meios monarquistas e nobiliárquicos. Estudando sobre o Concílio de Florença, quando houve uma tentativa de reunir a Igreja de Roma e as Igrejas Ortodoxas, a figura de George Gemistós Pléthon me saltou aos olhos. O platonismo, o hermetismo etc., começaram a fazer parte dos meus interesses e, pouco a pouco, me afastaram da visão aristotélica da Teologia e Filosofia Escolásticas. Acabei aderindo à Igreja Ortodoxa Grega, onde recebi os dois primeiros graus da vida monástica (dókimos e rasofóros). Infelizmente, na Igreja Ortodoxa do Brasil, não há grandes pensadores e sequer bons teólogos. Falar em Teologia Alexandrina, em Platonismo, em Orígenes, Evágrio do Ponto, Clemente de Alexandria etc., num meio de colônia inculta, com padres sem grande formação, bispos e arcebispos de mentalidade autoritária etc., é impossível. Os brasileiros são vistos nessas igrejas como cidadãos de segunda classe. No meu caso, mesmo tendo sangue da nobreza de Bizâncio, se não era da “coloniazinha” deles, não era suficientemente bom. Passei por diversas Igrejas Ortodoxas: Grega, Russa, Antioquina…Também a Igreja Pré-Calcedoniana Copta, mas o quadro era sempre o mesmo. O Budismo veio como influência das Artes-Marciais. Era sempre aquela presença misteriosa nos ambientes marciais que eu frequentava desde 1985. Depois de perceber que o Cristianismo talvez não fosse o ambiente com o qual eu tinha mais afinidade, passei a estudar o Judaísmo, o Islam, as Doutrinas Hindus e o Budismo. O Budismo foi aquela doutrina com a qual me identifiquei. Obviamente que não o “budismo” moderno, defendido nos templos das colônias (onde, mais uma vez, os brasileiros são vistos como inferiores), mas com o Budismo das Escrituras, do Cânone. Para ter acesso a essas fontes originais, foram anos e anos dedicados ao estudo do sânscrito e do chinês clássico.

4) Quais são os maiores desafios de ter um canal no Youtube? Você já sofreu strike?

R. Para mim, o maior desafio é lidar com a ignorância. Eu nunca fui uma pessoa muito dada a ser “expansiva”, no sentido de tentar convencer alguém de alguma coisa. Sendo assim, no meu convívio, sempre tive a tendência de deixar que as pessoas falassem as besteiras que quisessem, sem contrariar, ficando quieto no meu canto. Se a pessoa perguntasse minha opinião, aí a coisa mudava. Eu frequentemente, era visto como o “estraga festa” e o “espalha roda”, apesar de ter apenas respondido o que me foi perguntado. A simples exposição de argumentos é vista pelas pessoas como “imposição”, sendo que você não está impondo nada, ela que pense o que quiser pois você só está apresentando argumentos. No Youtube eu não vou ao canal de ninguém incomodar. Não exponho outros canais, não respondo provocações de outros canais. No entanto, nos comentários, sempre há uma pilha de ignorantes tentando “argumentar” sem ter as bases mínimas para isso. A ignorância é frequentemente acompanhada de arrogância. Então, sempre aparecem uns sujeitos cuja arrogância é proporcional ao desconhecimento e à ignorância. Gente que não sabe nem escrever o próprio idioma, que não tem cultura nenhuma, mas quer se meter a discutir e a ensinar. Isso me choca um pouco. Me cansa ler aqueles velhos argumentos, já refutados há muito tempo, sendo apresentados como “a grande novidade”. É o que eu chamo de “museu de grandes novidades”…Felizmente, por enquanto, nunca tomei strike.

5) Por quais ordens iniciáticas você passou? De que fontes você bebeu?

R. Iniciações reais mesmo eu recebi no Budismo e na Maçonaria. Apesar de ter estudado com muita atenção e carinho ao Sufismo, nunca recebi bay’at. Cheguei a ser recebido em uma sociedade secreta chinesa, um ramo da “tiandihui” ou “hongmen”, que depois acabou se dispersando. Fui recebido em muitas Ordens que eu considero pseudoiniciáticas. Depois de ser iniciado na Maçonaria, no começo da jornada, eu tinha a tendência de querer saber como eram as outras Ordens, de conhecer em primeira mão. Quando li a biografia do René Guénon a primeira vez, vi que ele tinha sido martinista e bispo da Igreja Gnóstica. Apesar dele ter abandonado tudo aquilo depois, eu queria também ter a experiência que ele teve. Para isso li todos os escritos de Louis Claude de Saint-Martin, de Martinez de Pasqually, me envolvi com o projeto de implantação do Rito Escocês Retificado no Brasil e fiquei durante alguns anos procurando por grupos martinistas onde eu pudesse ser recebido. Acabei encontrando e recebi o título de SII (Superior Incógnito Iniciador), fui consagrado como Bispo Gnóstico (com o nome de “Tau Plotinos”, que escolhi com uma certa ironia, uma vez que Plotino atacava os gnosticistas…), fui recebido num outro grupo chamado “Frater Lucis” etc., para comprovar, pessoalmente, aquilo que Guénon também comprovara, ou seja, tudo isso era um perfeito nada do ponto de vista iniciático real.

6) Quais são os seus nomes iniciáticos e o que eles significam?

R. Nome Iniciático mesmo tenho o de Shakya Dharmananda, ou seja, o “Shakya” (aquele que pertence ao clã de Buda, o sábio do clã dos Shakyas – Shakyamuni) que sente a alegria do Dharma (Dharmananda).

No Rito Adonhiramita tenho o nome histórico de René Guénon.

7) André por André, quem ele é?

R. André Otávio Assis Muniz é mais um na multidão. Não tem nada de especial, nada em sua individualidade que seja digno de grande interesse. É apenas um elo na cadeia de transmissão das doutrinas tradicionais. São as doutrinas que importam, não o transmissor. Uma pessoa comum.

8) É possível reverter o kaliyuga?

R. Não é possível. Gosto bastante de uma figura usada por Julius Évola para falar de kaliyuga: Uma avalanche descendo pela montanha. Não há nada que possa ser feito, a não ser se proteger da avalanche. Em uma outra figura, também usada por Évola e retirada do simbolismo oriental, estamos presos desarmados com um tigre faminto. A única alternativa é tentar montar nas costas do tigre e cavalgá-lo.

9) Eu fui iniciado no REAA mas trabalhei no Rito Moderno, um irmão meu da DeMolay é hoje Maçom pelo Rito de Memphis Misraim, ele me diz que é equivocado cerimonias públicas, que o templo só deveria ser acessado por iniciados e jamais por profanos, isso tem fundamento? Também já vi a ideia de que depois de consagrado o templo só pode usar alpargata dentro dele.

R. Durante grande parte da história maçônica não existiam “templos maçônicos”. Os maçons se reuniam em salões alugados. Frederico, o Grande, foi iniciado em um salão de hotel alugado. As Lojas alugavam salões em hotéis, em restaurantes, em hospedarias e até em residências maiores (geralmente de maçons) para suas reuniões. As alfaias necessárias eram levadas em maletas. Havia até uns malhetezinhos pequenos que se carregavam com facilidade nos bolsos. Castiçais eram comuns em todos os lugares, tendo em vista a inexistência de luz elétrica. Esse fetiche em relação aos templos é fruto do ocultismo do fim do século XIX, não tem nada de tradicional. O trabalho maçônico não precisa de um “lugar especial” destinado apenas a ele. Os templos decorados atuais são úteis por serem locais fixos onde há todo o necessário para a execução dos rituais sem necessidade de se adaptar nada. Num templo pronto, não é preciso preparar tantos detalhes, forrar paredes, pendurar os símbolos para os Graus todas as vezes etc. A questão é simplesmente de natureza prática. No entanto, templo maçônico não é um templo religioso, não necessita de nenhuma “sagração” (outra invencionice moderna de contornos ocultistas, adotada pelas instituições maçônicas sem qualquer análise crítica) e, uma vez encerrada a sessão, é uma sala como outra qualquer. Essa coisa do uso de alpargatas veio das expedições francesas ao Egito. Os franceses viam os cristãos coptas usando alpargatas para entrar no altar das igrejas, atrás do iconostase, e acharam bonito. O costume copta se baseia na passagem bíblica em que Moisés descalça os sapatos para pisar no local da sarça ardente. Como o altar é visto como uma “terra santa” (como o local da sarça, onde Moisés teve que se descalçar), os sacerdotes usam alpargatas e os fiéis tiram os sapatos para entrar lá. Os franceses resolveram enxertar isso na Maçonaria do Rito de Memphis-Misraim…

Em relação a cerimônias públicas, as vejo apenas como eventos sociais de certo mau gosto, algo extremamente cafona. Há um certo desejo, que eu vejo como excessivo, de socialização na Maçonaria. Acho bizarro ter “desfile maçônico”, “confirmação matrimonial maçônica”, “missa maçônica” ou outras coisas do tipo. Maçonaria não é para isso. Não é bloco de carnaval para sair fantasiado na rua.

10) A apropriação cultural tem alguma relação com o conservadorismo e o tradicionalismo?

R. Esse termo, “apropriação cultural”, é mais uma das muitas “palavras-talismã” do nosso tempo. São palavras que, em si mesmas, não significam grande coisa, mas servem como gatilhos psicológicos para conduzir a massa para uma ou outra tendência ideológica. É ridículo se falar, por exemplo, em “apropriação cultural do turbante afro”, sendo que o turbante foi adotado pelos africanos por imitação dos árabes. Foi o Islam que levou o turbante para a África, apesar da origem do turbante ser anterior ao Islam. O próprio nome vem do persa “dulband”. Ou seja, até a palavra é de fora da África. Vi um pessoal perguntando se “branca de turbante pode”. Era o caso de perguntar se não muçulmano de turbante pode e se usar uma palavra de origem persa pode…A formação de todos os povos do mundo se deu por influências mútuas. Falamos “açúcar”, “almofada”, “alpargata” e comemos kibe, esfiha, babaghanuche, homus etc., por influência árabe. Comemos sushi por influência japonesa. No Japão, inventaram o tempurá (corruptela de “tempero”) por influência portuguesa. No Japão e na China se come caril por influência indiana. Aliás, em Portugal também… Comemos lamen (o famoso “miojão”) e pedimos esfiha em casa. Tudo isso é “apropriação cultural”? Essa turma da “lacração” é tão arrogante quanto ignorante. Em muitos candomblés se usam, ainda, imagens de santos católicos. Isso seria uma “apropriação cultural”? Há uma porção de membros de candomblés da Bahia que pertencem a irmandades católicas em Salvador. Apropriação cultural? Tradição tem a ver com princípios superiores. Tradição é diferente de tradicionalismo e de conservadorismo. Eu como tapioca. Estarei eu cometendo uma “apropriação cultural” contra os indígenas? E quem toma açaí? Eu já vi, dentro da PUC-SP, uma discussão absolutamente ridícula sobre se brancos podem ou não usar dreadlocks. É uma pena que os “eruditos” contendores não sabiam que o uso de dreadlocks por parte dos etíopes tem origens cristãs, na Igreja Copta da Etiópia (de origem egípcia), e não nos maconheiros e em Bob Marley. Vários povos do mundo usaram e ainda usam dreadlocks, desde ascetas hindus, até sacerdotes astecas…

O que precisa ficar claro é que as verdadeiras tradições são supranacionais. Não são propriedades de nenhum povo, apesar das coloniazinhas acharem que são. Eu não sou indiano, não sou chinês e nem japonês, e também não quero ser, mas sou budista. Não preciso comer arroz empapado e tomar chá verde para ser budista. Não preciso imitar japonês, num espetáculo triste que muitos brasileiros protagonizam, para ser budista.

É muita “problematização” em cima de nada. É o que meu avô chamava de “balangação de beiço”.

11) O uso dos hermetistas da Cabala tem algum sentido? As tradições se complementam? Ou as pessoas estão fazendo cherry picking e ignorando tudo que não orna?

R. Historicamente, houve o desenvolvimento da chamada “Cabala Cristã”, onde elementos herméticos e mágicos se misturaram com conceitos da Cabala Judaica. Cabala Judaica é uma coisa, Cabala Cristã é outra. Não dá para dizer que é tudo a mesma coisa só por usarem o nome Cabala e por haver conceitos próximos. Pode haver síntese, mas não deve haver sincretismo. Com toda certeza, uma das tendências do “espiritualismo contemporâneo” é a supressão de evidências ou as evidências incompletas (o que você chamou de “cherry picking”). O pessoal adora “ensinar” o que nunca aprendeu. A Cabala Judaica é parte do Judaísmo. Está baseado na prática das Mitzvot, dos mandamentos da Torah, de uma vida baseada na Halachá, na lei judaica. Não dá para se “recortar” um pedaço da tradição judaica, o pedaço que mais te agrada, e fazer daquilo o seu “brinquedinho espiritual”. Da mesma forma, não dá para estudar hermetismo e Cabala Cristã sem entender o contexto cultural da época em que foi formada e as bases que utilizou. São temas complexos que as pessoas usam como se fossem um realejo da sorte ou um livrinho de autoajuda, sem nenhuma preocupação em compreender o que estão fazendo. É uma leviandade e uma irresponsabilidade tremendas.

12) Você acha que algum dia a maçonaria vai aceitar mulheres, visto o posicionamento da UGLE em relação a transsexuais?

R. Já aceita há muito tempo. Elizabeth Aldworth foi iniciada na Maçonaria em 1712, cinco anos antes da formação da Grande Loja de Londres. A primeira Ordem Maçônica a iniciar mulheres, a “Le Droit Humain” foi fundada em 1893, ou seja, há 127 anos. Na Inglaterra atual, há duas Grandes Lojas femininas que são reconhecidas como regulares pela UGLE, apesar de não serem permitidas as intervisitações. Nas comemorações dos 300 anos da UGLE, estavam lá as irmãs devidamente paramentadas. Aliás, elas trabalham em templos alugados dentro do próprio prédio da UGLE, o Freemansons Hall em Londres, e têm uma série de ações de caridade e de benemerência social junto com os Irmãos da UGLE. Algumas Irmãs, inclusive, foram condecoradas pela UGLE. Em grande parte da Europa, a maioria das Lojas são mistas. Há também Lojas exclusivamente femininas. A Maçonaria não é composta apenas de um bloco, o bloco conservador liderado pela UGLE, e mesmo a UGLE já aceita, desde o final da década de 1990, a Maçonaria feminina como uma realidade.

A UGLE passar a iniciar mulheres, como fez em 2010 o Grande Oriente da França, é uma questão de tempo.

No Brasil, infelizmente, a realidade da Maçonaria internacional é desconhecida. Aqui o machismo ainda impera e há a mania de se chamar de “espúrio” tudo aquilo que não se conhece direito…

13) Você trouxe para o Youtube nome de autores muitas vezes desconhecidos pelo grande público místico-esotérico do Brasil, existe um lobby ou complô para evitar o acesso a essas novas formas de pensar no Brasil?

R. Não acredito propriamente que haja um lobby. Acredito que haja incultura e preguiça. No Brasil, a maior parte da população mal fala o português. Em média, o brasileiro lê muito pouco. Ler em outras línguas é algo que está completamente fora dos horizontes culturais da maioria dos brasileiros. Os poucos autores que são lidos, de qualidade bastante duvidosa, são repetidos como “sentenças sapienciais”. Sendo assim, o acesso a outras visões, a novas perspectivas, se torna impossível.

14) Você já sofreu perseguição religiosa? Já sofreu preconceito?

R. Sim. Dentro de muitos ambientes que frequentei. A Associação da Nobreza Histórica do Brasil, por exemplo, não gostou nada do fato de eu ser budista. Lá só havia lugar para católicos no modelo tfpista. A PUC-SP também não gostou muito de ter um maçom relativamente conhecido em seu programa de mestrado/doutorado em Ciências da Religião.

Para muitas Igrejas Ortodoxas, não ser grego, russo ou árabe é um tremendo defeito.

Nos ambientes “budistas” asiáticos, o preconceito come solto. Grande parte dos chineses ou sino-descendentes, dos japoneses ou nipo-descendentes, acreditam que são superiores aos ocidentais. Mesmo sendo ignorantes na doutrina, mesmo não tendo o mesmo conhecimento, mesmo sendo confrontados com seus erros e ignorância, muitos deles se sentem “mais budistas” que os ocidentais e se portam como se fossem superiores. Há leigos chineses que se sentem à vontade para “corrigir” monges ocidentais e eu já tive que mandar uma senhora calar a boca, no meio de uma cerimônia, porque ela insistia em ensinar um erro a todas as pessoas sem feições chinesas que se aproximavam do altar, inclusive a mim, que estava paramentado como monge. Uma falta de respeito imensa, já que ela nem leiga era. Já tive que corrigir publicamente um mestre budista de Taiwan que citou o nome errado de um sutra. Apontei um monte de erros dentro desse templo, cometidos por monges chineses, e acabei me tornando “persona non grata” lá. Afinal, mestre brasileiro para eles não existe. Já fui processado por condenar práticas não-budistas dentro de templos da colônia nipo-brasileira. E o pior, fui perseguido por outros brasileiros subservientes, que adoram ser capachos de estrangeiros. A história é longa…

15) Esse mesmo amigo meu, diz haver uma maçonaria esotérica (francesa) e uma maçonaria racional (inglesa), isso procede?

R. Não procede. Não existe uma “Maçonaria Esotérica” e outra “Racional”. A Maçonaria é, como um todo, herdeira da Tradição Iniciática do Ocidente. Há uma série de Ritos e desdobramentos históricos que fazem com que haja, aqui e ali, diferenças de enfoque, mas isso não quer dizer que haja “maçonarias” diferentes em essência. Aliás, dentro da Maçonaria Francesa há correntes extremamente racionalistas e até ateias, enquanto na Maçonaria Inglesa há grupos bastante devotos e bastante tendentes à piedade (como as Ordens de Cavalaria, a Ordem da Cruz Vermelha de Constantino, os Knight Templar Priest, a SRIA etc.), sem nada de racionalista. Enfoques completamente diferentes, mas os mesmos elementos essenciais mantidos.

16) Como têm sido as reações em relação às críticas e posicionamentos corajosos e sinceros seus? Você já foi cobrado pessoalmente por algum Irmão Maçom? Tem sido muito complicado lidar com os haters de Youtube?

R. Muitas pessoas reagem com raiva, afinal, sentem o chão faltar quando se desmancha o castelo de areia em que escolheram morar. O mais habitual é escreverem que eu não sei de nada, que “o vídeo é fraco”, que está “tudo errado”, sem nunca apontarem onde estão os supostos erros. Há maçons que, desconhecendo a natureza real do segredo maçônico, me acusam de “revelar” o que não devia no Youtube. Obviamente, essa é uma acusação risível. Essas pessoas vivem uma ilusão e vivem isoladas em seus mundinhos bairristas, paradas no tempo. Os segredos ritualísticos maçônicos já foram revelados desde o século XVIII, com a publicação de “A Maçonaria Dissecada” de Samuel Prichard, em 1730. As polícias absolutistas tinham informes detalhados de tudo que se passava dentro das Lojas. São segredos simbólicos. Se você entrar em qualquer boa livraria na França, acha livros maçônicos que discutem, comparam e expõem rituais, palavras, toques, sinais, marchas etc. Há rituais completos em português para se baixar em PDF pela internet toda. Se preocupar com esse tipo de “segredo” é fazer um papel ridículo. O verdadeiro segredo maçônico é aquele que, por sua própria natureza, é incomunicável.

Não me preocupo muito com haters. Em geral, bloqueio e apago os comentários grosseiros. O sujeito só perde tempo em escrever. Os que apresentam algum argumento, e não são muito grosseiros, até respondo. Se insistem muito, apago e bloqueio. Não tenho tempo para essas infantilidades.

17) O sexo como meio recreativo sempre foi um hábito na sociedade patriarcal, homens frequentavam e frequentam prostíbulos como forma de passatempo, é um hábito nocivo? Como as Ordens iniciáticas (principalmente as exclusivamente de homens) deveriam se posicionar a respeito disto e do consumo de álcool?

R. O fato de ser um hábito não quer dizer que é tradicional, ou seja, o fato de ser algo antigo não quer dizer que está em acordo com as doutrinas tradicionais. A dissipação sexual, a frequência a prostíbulos e o adultério são universalmente condenados pelas tradições. O consumo excessivo de álcool também é condenável. No caso de budistas, como eu, é absolutamente proibido. As doutrinas propagadas nas Ordens Iniciáticas são unânimes em condenar os vícios e louvar as virtudes. É uma pena que muitas Lojas façam vistas grossas para esse problema e encarem como algo jocoso.

18) O Maçom deveria buscar ser um übermensch?

R. Todo Iniciado tem como objetivo, ou deveria ter, tornar-se um Adepto, ou seja, alguém que realizou todas as potencialidades, seja as potencialidades humanas, no caso do Adepto Menor, seja o conjunto de todas as potencialidades de todos os estados, que é o caso do Adepto Maior. Aquele que realizou todos os estados é um “Jivan Mukta”, um liberto, um Iluminado, um “Homem Divino” na linguagem metafísica chinesa, ou um übermensch. Claro que essa é uma classificação diferente daquela de Nietzsche para esse termo.

19) O que faz o islamismo ser tradicional e a igreja dos mórmons não? Digo isso pois acho o desenvolvimento dessas religiões muito parecido, profeta jovem, diz que a bíblia foi corrompida e que por revelação ele tem a história não corrompida.

R. Basicamente, essa diferença se dá pela doutrina. Islam quer dizer submissão à vontade divina. O Islam seria assim, a religião de Abraão, de Moisés, de Jesus e de todos os profetas e justos. O ensinamento islâmico tradicional diz que todo ser é naturalmente muçulmano, ou seja, submisso à vontade divina, mas que aos poucos vai se afastando dessa vontade divina e servindo aos ídolos que, não necessariamente são estátuas, mas podem ser dinheiro, status social, aceitação, fama etc. A idolatria está em alta. A divisão entre fiéis (muminim) e infiéis (kufar) é bem simples: fiéis são os que se conformam conscientemente à vontade divina, ou seja, à ordem universal, enquanto infiéis são os que não o fazem, uns por revolta contra essa ordem universal e outros por ignorância. O Alcorão traz essa mensagem e, numa interpretação mais esotérica, os milhares de profetas enviados por Deus são todos aqueles que representam a Tradição. O Islam como religião organizada, ou seja, como fruto da revelação corânica, não nega as revelações anteriores e nasce em um momento em que vários grupos cristãos disputavam sobre o que era ou não era a verdade em relação a Jesus. O Alcorão Sagrado não inventa uma civilização inexistente, com profetas inexistentes e muito menos os faz imigrar para a América, como o Livro de Mórmon, ao afirmar que Néfi teria saído de Jerusalém para as Américas. O Islam não alega ter um “profeta vivo” liderando sua igreja, não batiza mortos e não copia cerimônias maçônicas para suas cerimônias internas (que nem existem no Islam). A doutrina islâmica, ao ser estudada em profundidade, revela sua origem comum com todas as verdadeiras tradições. O mormonismo revela ser uma invenção.

20) Certa vez um magista afirmou que havia a necessidade de ter o corpo preparado para executar rituais, dentro do seu ponto de vista, é necessário um equilíbrio entre corpo, mente e alma? No sentido de que esse seria o tripé para a iluminação ou equilíbrio? O ditado mente sã em um corpo são é significativo?

R. O equilíbrio é fundamental. Não somos espíritos puros e nem apenas corpo. Somos um conjunto. Os preceitos são praticados com o corpo. Dependemos dos nossos sentidos e da nossa mente para poder contemplar a Verdade e perceber as realidades espirituais. Quaisquer antagonismos entre corpo, mente e espírito são danosos.

21) O que é o tradicionalismo?

R. Pergunta interessante. Podemos dizer que a ideia de Tradição foi a tal ponto destruída que as pessoas que desejariam encontrá-la não sabem onde ir, onde procurar etc. Isso faz com que qualquer coisa que se apresente para essas pessoas como sendo “tradicional” seja prontamente aceito. Muitas dessas pessoas sofreram graves decepções com as falsificações modernas e, numa reação, tentam se agarrar a tudo que se apresente a elas como sendo “tradicional”. O tradicionalismo, diferente da Tradição, é uma caricatura. É uma aspiração vaga, uma tendência em relação à Tradição sem que haja um conhecimento real dela. Um “tradicionalista” é um especulador, alguém que não está em posse dos princípios da Tradição, princípios esses que lhe dariam uma orientação infalível. O tradicionalista não conhece a Tradição, só a imita, nos aspectos mais exteriores e naquilo que ele considera como sendo mais esteticamente agradável. Vivemos uma época abundante em tradicionalistas, que bradam slogans, apreciam uma estética que eles julgam “tradicional” só por ser mais antiga, atacam aos outros em nome da “tradição”, mas, muito frequentemente, não se dão conta do quão antitradicionais são suas mentalidades. A mania “ativista” desse pessoal é uma boa demonstração de sua mentalidade antitradicional. Ser tradicionalista não é ser tradicional de verdade. Usar terno e gravata, cabelinho cortado ao estilo década de 1950, terço no bolso, falar contra os comunistas e ser um bom menino que vai à missa no domingo com a vovó, não te faz ser tradicional. A mentalidade burguesa, as tendências capitalistas etc., também são excelentes marcadores do quão profundamente antitradicionais são os tradicionalistas.

22) O New-Age é o marco inicial do kaliyuga? Qual o marco inicial do kaliyuga em nossos tempos?

(o que é a kaliyuga?)

R. Os yugas são períodos de tempo na contagem tradicional hindu. Há quatro grandes yugas ou períodos de tempo cíclico: Satyayuga, Tretayuga, Dvaparayuga e Kaliyuga.

Estamos em Kaliyuga há muito tempo, aproximadamente desde 3102 antes da Era Comum.

As trevas de Kaliyuga vão se tornando mais densas conforme o tempo passa. O movimento “New Age” é só mais uma das muitas falsificações de Kaliyuga.

23) O ex-ministro Mandetta era maçom, o atual vice-presidente Mourão é maçom, o ex-presidente Michel Temer era maçom, porém o Temer pediu afastamento, eu conheci o Temer pelo Rede Colmeia e levava muita fé nele por ele ser maçom e me parecer um homem muito equilibrado e sóbrio, não conhecia na época o fato da esposa nova que ele tinha nem suas mutretas, mas me iludia pelo fato dele ser maçom, como você vê o envolvimento da maçonaria com a política no âmbito nacional, estadual e municipal? Deveriam os maçons que se envolvem com política adormecer durante esse período para não misturar as coisas?

R. O envolvimento deveria se dar pelos princípios, ou seja, um político maçom deveria aplicar os princípios da moralidade maçônica em suas funções, não usar a Maçonaria como “curral eleitoral”. Da mesma forma, os maçons não deveriam usar quaisquer relações maçônicas com políticos para se beneficiar do que quer que fosse. Isso independe de estar ou não adormecidos. Acho profundamente ridículo e patético quando vejo eventos maçônicos em que políticos são adulados e se forma aquela fila de maçons para tirar fotos ao lado dos políticos. Infelizmente, sou visto como um “radical” por conta de meus posicionamentos.

24) Certa vez vi uma entrevista do Zé Rodrix e ele disse que o erro foi convidar os políticos para entrar na maçonaria ao invés de botar maçons na política. Essa é uma afirmativa certa?

R. Acho que ele estava equivocado. Maçonaria não é partido político para lançar candidatos e nem deve se prestar a tentar fazer jogo de influências na sociedade civil.

25) O senhor mencionou certa vez o escritor francês Ragon, o que o senhor acha dele? O que o senhor acha do trabalho de Chico Trolha e de Rizzardo da Camino?

R. Ragon cometeu muitos erros, mas era um entusiasta da Maçonaria. Graças a ele temos alguns documentos importantes da Maçonaria oitocentista. Em relação a Chico Trolha, foi um maçom esforçado e fez muito com o pouco que tinha de material disponível na época. Rizzardo é um autor bastante fantasioso e muito influenciado por teosofismo, ocultismo e outras coisas do tipo.

26) Certa vez o senhor mencionou que o Bolsonaro não era competente para ser de extrema direita, qual a verdadeira direita? Qual é a verdadeira extrema direita?

R. Eu cheguei a fazer um vídeo no canal tentando explicar essas diferenças. Basicamente, direita e esquerda são termos pós-Revolução Francesa para cobrir amplos espectros ideológicos cujos fundamentos são desigualdade e igualdade. A verdadeira direita não acredita em desigualdades com base em quantidade de dinheiro, mas sim em desigualdades naturais, desigualdades de função e em um escalonamento hierárquico que não está baseado em dinheiro. A verdadeira direita tem como princípio o respeito fundamental a todos, sem que as desigualdades de função e sem que a hierarquia real afetem as condições de vida das pessoas. Em outras palavras, o fato de alguém ser de uma casta elevada e estar no alto da hierarquia não a faz materialmente rica. Assim como um rico, só pelo fato de ter dinheiro, não está necessariamente em uma casta elevada. As desigualdades naturais e harmônicas fazem com que o respeito e a caridade mútua reinem. Ninguém se torna grande por ter poder ou cargos, ao contrário, são os grandes que devem ter poder e cargos, pois são eles que saberão usá-los com sabedoria e justiça. Moralmente e intelectualmente, não temos governo de direita no Brasil. Temos um circo, um show de horrores e de ignorância. A mais baixa casta está no poder, o que é típico de Kaliyuga.

27) Se o Kaliyuga é um movimento de deterioração e decrescência intelectual, o que significa isso para movimentos já bem complicados como os neo-pentecostais?

R. O pentecostalismo é a degeneração da degeneração. O neopentecostalismo é a degeneração da degeneração da degeneração. Explico-me: A Reforma é uma queda, uma degeneração em relação ao Catolicismo Romano. O pentecostalismo é uma queda, uma degeneração em relação à Reforma. O neopentecostalismo é uma queda e uma degeneração em relação ao pentecostalismo…São produtos progressivamente decadentes de Kaliyuga.

28) Tem algo de Iniciático nas artes marciais? Há um tradicionalismo ou eco de uma corrente ao passado distante? Quero dizer a arte marcial é tão antiga e uma via capaz de iniciar e trazer autoconhecimento ao homem?

R. A guerra tem um aspecto metafísico e, consequentemente, as artes marciais também participam desse aspecto. O combate físico, material, é uma figuração do combate metafísico, das forças opostas do bem e do mal. Há uma via propriamente guerreira da Iniciação. O esoterismo da Cavalaria é uma de suas expressões. A Bhagavad-Gita, um clássico indiano do século IV a.E.C., é a mais conhecida e popular das Escrituras Sagradas que falam sobre o Caminho do Guerreiro.

29) Julius Évola e René Guénon, qual a importância deles na sua vida?

R. São dois autores magistrais, dois dos meus autores favoritos. A contribuição de ambos para a transmissão do pensamento tradicional aos séculos XX e XXI é de um valor incalculável. É uma pena que os nomes de ambos sejam, muitas vezes, associados a grupos que sequer os leram e cujos membros não têm nem capacidade para os compreender.

30) Em 200 anos o Brasil recebeu muitas vertentes religiosas para combater o catolicismo dominante no Brasil, isso foi algo planejado? O Brasil era melhor como país católico? Essa bateria de missionários vindo ao Brasil (de diversas religiões) foi algo combinado?

R. Não vejo como algo combinado. A realidade é bem mais complexa do que os teóricos da conspiração querem que seja. A pluralidade religiosa é um fenômeno no mundo todo, com exceção de alguns países fechados. O Brasil já foi um país católico? Eram católicas as ações do governo que escravizavam os índios e os negros? Eram católicas as perseguições aos jesuítas que combatiam corajosamente a escravidão? Foi católica a trama de latifundiários contra a Princesa Isabel depois da abolição da escravidão? Para mim, o Brasil nunca foi católico. Pode ter sido nominalmente, mas nunca seguiu com seriedade o Catolicismo nem qualquer outra religião.

31) “Lugar de santo é no céu, esse daí estudou demais”, uma das características brasileiras é olhar com maus olhos a retidão, chamar o cara correto de “caxias”, mas não é isso que o iniciado deve buscar? Emular ao máximo a perfeição de caráter e a retidão?

R. Essa questão está um pouco ligada a anterior. Essa mentalidade malandra, amiga da vagabundagem, do desvio de conduta etc., é típica de quem não tem nenhuma convicção verdadeira. Se “lugar de santo é no céu”, lugar de malandro é na cadeia ou debaixo da terra. Ordens Iniciáticas não são casas de correção e nem escolinha para endireitar criança preguiçosa. Gente torta não deveria ser admitida, sob hipótese nenhuma.

32) Em questão de Maçonaria, (exemplo) como um homem libertino e um religioso poderão se chamar de irmãos, se um considera o outro má companhia, não acaba um contaminando o outro ou influenciando pela convivência?

R. Poderão se chamar por puro protocolo, mas nunca se considerarão irmãos de verdade. O libertino nunca deveria ser admitido. Isso está na velha Constituição de Anderson…Nem o ateu estúpido e nem o libertino irreligioso…

33) O ritual de iniciação é um psicodrama? Se é um psicodrama o spoiler não a estraga a experiência? Como fica isso em relação a maçonaria que desde muito cedo tem seus rituais tão expostos em livros, filmes e documentários?

R. O ritual de Iniciação não é um psicodrama. O psicodrama visa os vínculos emocionais do indivíduo e a exploração da psique humana, não seguindo um procedimento predeterminado. Os envolvidos no processo psicodramático estão cientes de suas funções e da participação em um processo terapêutico. Já a Iniciação é uma abertura para uma dimensão superior da existência, supra-humana e suprarracional. Saber ou não saber sobre o ritual não altera a essência em si, que é, precisamente, a influência espiritual trazida pelo rito. Não se pode “psicologizar” os ritos. Aliás, essa é uma das características da deformação moderna. Além disso, a Iniciação não se dá apenas por enxertia, ou seja, através de um rito, mas também por processos traumáticos e inata.

34) É possível criar uma ordem nova e ela ser tradicional?

R. Se por ‘Ordem’ se entende uma organização exterior, com estatuto, diretoria etc., sim. O que determinará o caráter tradicional de uma Ordem é sua doutrina, a transmissão de tal doutrina para o fundador e a continuidade dessa transmissão para os membros. Uma organização iniciática tradicional não precisa sequer ser revestida por aparatos exteriores tais como essa estrutura de “Ordem” com cargos definidos, regras expressas etc. As pessoas dão muita importância às questões exteriores, estruturais, mas não é assim que funciona no mundo da Tradição. Ordens muito velhas e muito bem estruturadas podem ser completamente antitradicionais, enquanto outras, muito novas e quase sem estrutura formal, podem ser completamente tradicionais.

35) Existe alguma justificativa para o sincretismo tão comum entre os brasileiros? Isso não seria o traço de um povo hiper miscigenado?

R. Sincretismo existe em todo lugar. O sincretismo é um erro. É diferente da síntese. Na síntese se analisa a unidade comum, os princípios mais altos, a essência das doutrinas. No caso do sincretismo se mistura tudo o que há de exterior, se monta uma colcha de retalhos, sem observar as características particulares. O sincretismo é uma das marcas da “New Age”.

36) A maçonologia deverá ficar mais forte no Brasil nos próximos anos?

R. Eu gostaria que sim, mas não aposto muito nisso. Não há nenhum estímulo ao pesquisador maçonólogo no Brasil. As instituições investem em salões bonitos, em burocracia, em funcionalismo de gabinete (secretárias, garçons, sistemas de informática etc.), mas não têm fundo nenhum para pesquisadores.

O pesquisador é visto como um tipo excêntrico, que deve arcar sozinho com a própria pesquisa e se virar para conseguir publicar e vender as próprias publicações.

37) Como foi criar o seu livro? Poderia nos falar sobre ele, quantos capítulos tem? Quais temas aborda? Quanto tempo levou para concluí-lo?

R. Tenho 5 livros publicados: O “Novo Manual do Rito Moderno – Aprendiz”, “Novo Manual do Rito Moderno – Companheiro”, “Novo Manual do Rito Moderno – Mestre” (esses três já esgotados na editora), o “Vademecum Completo das Ordens Superiores do Rito Moderno ou Francês”, em formato ebook, e o “Curso Elementar de Maçonologia”, que está disponível em ebook e também como livro físico. Fora esses, também fui o tradutor, adaptador e comentarista de todos os rituais oficiais do Supremo Conselho Filosófico do Rito Moderno do Brasil. Todos os estudos que constam neles foram de minha autoria. No caso dos rituais da 5ª Ordem, Graus 8 e 9, fui o autor direto deles. No caso do “Curso Elementar de Maçonologia”, eu queria apresentar um panorama geral da Maçonologia, uma visão diferente do estudo da Maçonaria, com bases históricas, filosóficas e doutrinárias, sem invenções ou simples opiniões pessoais. A ideia era criar um curso mesmo, dividido em aulas, de maneira que quem as concluísse tivesse uma base sólida sobre o tema. O curso se compõe de 12 aulas que abordam temas cruciais para a compreensão do que seja Maçonaria. Demorei por volta de 8 meses para concluí-lo.

38) Você acredita em experiências sobrenaturais? Qual a experiência sobrenatural mais marcante que você já teve (ou mística)?

R. O termo “sobrenatural” é, de forma geral, muito mal empregado. Sobrenatural é aquilo que está sobre, que está acima da natureza. Toda intuição intelectual, toda inspiração espiritual verdadeira é sobrenatural. As pessoas confundem ‘sobrenatural’ com paranormal ou preternatural. Quando se fala em experiência sobrenatural, se fala em todo tipo de contato com o Princípio Superior. Não é algo cinematográfico, mas pode ser tão singelo quanto um simples pensamento inspirado. Em relação a experiências paranormais, elas existem, mas não têm as causas que as pessoas atribuem a elas. São produtos do psiquismo humano. Não têm absolutamente nada a ver com os mortos, com demônios ou coisas do tipo. Já tive sonhos bastante simbólicos e cheios de significado para mim. Já tive grandes percepções interiores, tenho minha vocação ao sagrado, experiências que eu considero sobrenaturais. Já em relação ao paranormal ou ao preternatural, nunca tive experiência alguma. Sou uma pessoa imune ao medo do paranormal, tão comum entre as pessoas de forma geral.

39) Tenho a impressão de que a música clássica por sua complexidade tem um certo vínculo com o tradicionalismo, ela é divinamente inspirada? Ela possui de fato uma diferença das outras músicas feitas pelo ser humano, ou ela é apenas o retrato de uma época?

R. A música é um instrumento do belo, ao menos deveria ser. O belo é a expressão do bom e do verdadeiro. Tudo o que é belo, bom e verdadeiro, tudo que eleva nossa visão, nossos sentimentos e estimula nossa vontade para o bem, expressa, de alguma forma, o divino. A música clássica continua sendo produzida. Não é algo que só existiu no passado.

40) Zoroastristas, Fé Bahai e Yazzidis (que veneram o heptal e Tawuse Melek) são minorias religiosas do oriente médio que sofrem na mão do wahabismo e do extremismo islâmico, o judaísmo é das minorias religiosas do mundo uma das que mais chama a atenção, esse fetiche não é uma consequência direta de Jesus (o Deus Cristão) ter escolhido ser judeu?

R. Todas as religiões e tradições sofrem na mão do wahabismo que, sinceramente, eu hesito muito em chamar de “Islam”, mesmo de “extremismo islâmico”, uma vez que ali há muito pouco de Islam. O extremismo wahabita e seus filhotes atacam os próprios muçulmanos, imagine as outras religiões. Dizer que o wahabismo representa o Islam é o mesmo que dizer que o fanatismo mais extremo de um grupo neopentecostal representa “o Cristianismo”. Eu não vejo o Judaísmo como uma minoria. O Judaísmo é uma das maiores religiões mundiais. Sua importância global, com certeza, deve muito ao fato do Cristianismo ter se manifestado em um meio prevalentemente judaico.

41) Muitas vezes se fala que não há sentido em juntar o evangelho com a bíblia hebraica, há realmente necessidade de vincular o evangelho aos livros judaicos, a mensagem de Jesus é como muitos afirmam simples e humilde ou é necessário o aparato dos livros judaicos para lhe dar complexidade (visto Maomé, por exemplo, apenas declarar ambas os livros adulterados e dar ênfase no Alcorão em sua doutrina)?

R. O Cristianismo não é uma negação do que foi ensinado anteriormente. Essa história de que a mensagem de Jesus é “simples e humilde” é conversa de quem não entende o Cristianismo, de quem nunca estudou Teologia e Exegese Bíblica. Os Evangelhos, os Atos dos Apóstolos, as Epístolas, o Apocalipse e toda a Sagrada Tradição patrística e teológica são elementos extremamente complexos. A adição da Filosofia Grega ao Cristianismo, demonstrou a profundidade da mensagem do Novo Testamento. A História da Salvação, na ótica teológica cristã, não é uma “fatia de bolo” que pode ser destacada de todo o resto. Jesus é o ponto focal dessa história, não um “fato novo” desprendido de tudo o que veio antes.

O Profeta Mohamad, que a Paz e as Bençãos de Deus estejam com ele, não negava a Torah e o Evangelho. O que ele chamava de adulteração era uma perda de sentido original e as várias interpolações e seleções dadas às Escrituras. A negação de certos livros foi vista pelo Profeta do Islam como uma forma de se adulterar a mensagem divina.

42) Em algum momento na Maçonaria antes de 1717 o GADU foi Jesus (sendo que basicamente todos os maçons eram cristãos nessa época ou em sua maioria absoluta eram cristãos)?

R. Não. O GADU não é um deus antropomórfico, nem um deus propriamente, mas um símbolo iniciático. Há relatos de judeus maçons desde o início da Franco-Maçonaria. O fato de haver uma maioria cristã é apenas reflexo do local e da época.

43) Qual o Papel de Elias Ashmole no desenvolvimento da impessoalidade de Deus na Maçonaria?

R. Não vejo nenhum papel específico de Ashmole nessa questão. Aliás, stricto-sensu, não há nenhum conceito particular de Deus na Maçonaria. A Maçonaria não é e nem nunca foi uma religião e nem deve ser tratada como um substituto ou simulacro de religião. Maçonaria não produz Teologia, não elabora dogmas religiosos e não deve se meter nesse campo.

44) Certa vez li em um artigo que a lenda de Hiram, sua morte e ressurreição foi uma forma de manter a maçonaria com uma característica cristã, faz sentido isso? É verdade que chegou a se cogitar criar uma lenda envolvendo Noé?

R. Não faz sentido. Ideias ligadas à morte e ressurreição existem em todas as tradições, muito antes do Cristianismo. Há lendas envolvendo Noé em outros Graus, mas sem relação nenhuma com qualquer ideia de triunfalismo religioso.

45) É fato de que o terceiro grau foi o último a ser criado? E antes a maçonaria só tinha aprendiz e companheiro?

R. É fato. As primeiras referências ao Grau de Mestre aparecem por volta de 1725. O Mestre era uma função, não um Grau. Um Companheiro era eleito para ser o “Mestre da Loja” e dirigir os trabalhos por um ano. Depois, voltava a ser um Companheiro junto com os demais.

46) Falam que o Rito Adonhiramita tentou re-conciliar a maçonaria e a ICAR, como?????

R. Isso é uma fantasia. Apesar de Louis Guillemain de Saint-Victor ter uma forte influência cristã e usar muito simbolismo cristão em seu sistema maçônico, isso não tem nada a ver com reconciliar Maçonaria e Igreja Romana. Eu escrevi um longo artigo sobre a história do Rito Adonhiramita chamado “O Rito Adonhiramita: História e idiossincrasias” que pode ser encontrado em vários sítios eletrônicos.

47) O que difere o RER do REAA?

R. São sistemas maçônicos bastante diferentes. O REAA é estruturado em cima de seis estruturas: Loja Simbólica (Graus 1 ao 3), Loja de Perfeição (Graus 4 ao 14), Capítulo (Graus 15 ao 18), Oficina de Kadosh (Graus 19 ao 30), Consistório (Graus 31 e 32) e Supremo Conselho (Grau 33). O RER é bem mais sintético: Loja Simbólica (Graus 1 ao 3), Loja Verde ou “de Santo André” (que trabalha apenas o Grau de Mestre Escocês de Santo André), e “Ordem Interna”, onde os dois Graus (Escudeiro Noviço e Cavaleiro Benfeitor da Cidade Santa) já não são mais considerados, propriamente, como graus maçônicos, mas sim graus de Cavalaria Espiritual. Ambos os Ritos têm uma finalização ligada ao Templarismo, mas os enfoques são bem distintos.

48) A Maçonaria tem um rito “mais cristão” do que os outros ritos?

R. A Maçonaria, como todas as formas de Esoterismo, pode se revestir de uma linguagem cristã sem que, no entanto, isso implique em um dogmatismo religioso qualquer. Esoterismo é algo diferente de religião. O fato das formas pertencerem a uma ou a outra religião, pouco importa. Os antigos iniciados participavam indistintamente de várias formas de culto exterior, segundo os costumes estabelecidos nos diversos países onde se encontravam, uma vez que enxergavam a unidade doutrinal essencial que se dissimulava através da aparente diversidade. Sendo assim, o fato de se usar mais ou menos as formas cristãs em um rito, como o RER por exemplo, não implica que ele seja mais “cristão” que os demais, uma vez que não estamos no domínio da religião. Justamente por isso, vejo como um erro e uma mostra de incompreensão iniciática que algumas Ordens Maçônicas inglesas colaterais exijam que os candidatos sejam cristãos.

49) Existe alguma possibilidade do Memphis-Misraim ser adotado um dia pela maçonaria mainstream?

R. O Rito de Memphis-Misraim é praticado pela Grande Loja Suíça Alpina, uma instituição do bloco conservador, ou seja, de certa forma, já é praticado pela Maçonaria mainstream. O grande problema do RMM é a estrutura completamente caótica que se desenvolveu em torno das múltiplas instituições que o regulam. Há tantos “Soberanos Santuários” e grupos diferentes, misturados com todo tipo de Ordens pseudoesotéricas, que fica muito difícil separar o joio do trigo. Na França e na Itália há exemplos bem sucedidos de sua implantação.

50) A maioria dos maçons americanos são protestantes, por que no Brasil os Protestantes têm uma militância tão antimaçônica? O que difere entre lá e aqui?

R. Eu não tenho dados atualizados sobre a porcentagem de protestantes nas diversas Grandes Lojas norte-americanas, então não posso afirmar com certeza se a maioria é composta por protestantes. O nome “protestante” é bastante problemático por ser uma generalização. Não dá para colocar no mesmo “balaio” um evangélico de confissão luterana, um anglicano e um neopentecostal. Os três são genericamente classificados como “protestantes”, mas são muitíssimo diferentes. O Brasil, como todo país com baixa cultura e graves problemas sociais, é um viveiro de neopentecostais fanáticos. Em todo lugar onde as estruturas sociais são extremamente falhas, se cria o ambiente ideal para brotarem essas seitas. Hoje assistimos bestificados ao crescimento da influência política desses grupos que, em países mais sérios, seriam colocados sob vigilância policial. Sendo assim, o foco da antimaçonaria está nessas seitas, nesses grupos fanáticos neopentecostais, e não no que se classifica em geral como “protestantismo”.

51) A situação da maçonaria no resto da América latina se assemelha a do Brasil?

R. A América Latina é culturalmente multifacetada. O Brasil goza de uma posição única nesse mosaico cultural. É um dos países com maior diversidade ritualística maçônica do mundo. Difícil estabelecer uma comparação genérica entre países tão diferentes.

52) Qual seria sua mensagem final para os nossos leitores do blog Pelotas Occulta?

R. Gostaria de agradecer a paciência de nos acompanharem até aqui, tendo em vista a extensão da entrevista e a pluralidade de assuntos dos quais tratamos.

53) André, se alguém quiser te contatar como pode fazê-lo?

R. Podem fazê-lo através do email aryasattva@gmail.com ou através do canal no Youtube “Transcendência André O.A. Muniz”.

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~ por Rosemaat Abiff em 31/05/2020.

2 Respostas to “Entrevista com Adeptos.”

  1. EU RICK CHARLES FUI CONVIDADO NO INÍCIO DESSE ANO FUI CONVIDADO PARA UMA EXCELENTE ENTREVISTA NO TEMPLO DE SANTOS SÃO PAULO. NA RUA AMADOR BUENO NÚMERO 156.
    ENFIM PARA ME É MARAVILHOSO CONHECER UM POUCO MAIS SOBRE Á MAÇONARIA POIS EU DESDE OS MEUS TRÊS ANOS DE IDADE QUE EU TENHO AMIZADES COM VÁRIOS MAÇOM “POIS FUI CRIADO POR A FAMÍLIA BARROS ARAÚJO DA CIDADE DE PICOS NO ESTADO DO PIAUÍ, EU TAMBÉM CRIEI UM CANAL NO YOUTUBE, EU TAMBÉM TRAGO COMIGO Á MINHA VERDADE É NÃO ME ENTROMETO A FALAR CONTRA QUALQUER CANAL , MÁS TENHO UM LINK ESPECIAL COM ALGUNS VIDEOS SOBRE Á MAÇONARIA E SOBRE Á CONSTRUÇÃO CÍVIL, ENFIM O MESTRE DO TEMPLO ME FALOU QUÊ Á MINHA INICIAÇÃO NO TEMPLO SERÁ NO DIA 19 DE FEVEREIRO.

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  2. Grande entrevista! Obrigada pelo conteúdo!

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