DOZE HOMENS CONTRA O MUNDO

(da obra Tempo de “Estudo Maçônico” Vol. 2)

Em quase todos os países da face da Terra, milhões de fiéis vão reunir-se em igrejas dedicadas ao Carpinteiro de Nazaré e milhões de vozes vão cantar em honra da sua vitória sobre o pecado e a morte.

Dizem-nos os cientistas que para cada efeito deve haver uma causa, considerando que não há efeito sem causa nem causa sem efeito. Poderia alguma coisa menos sobrenatural do que a história da Cruz e do Sepulcro vazio explicar efeitos tão estupendos?

É um fato indiscutível que há mais de 2.000 anos Jesus apareceu na Palestina. Os seus amigos o amavam e o julgavam um profeta, talvez um rei. Os inimigos chamavam-lhe fanático e agitador. Mas ele vivia a vida do perfeito amor, exprimindo-se em atos de serviço dedicado a ricos e pobres. Sua ternura conquistava os corações das crianças e dos simples: sua filosofia de vida despertava o interesse dos mais sábios e dos melhores. Mas o seu destemido radicalismo encolerizou os que defendiam o princípio de deixar as coisas como sempre foram, e eles o crucificaram.

Ele não precisava ter tido tão cruel destino. Poderia ter evitado Jerusalém. Ainda ali poderia ter-se esquivado aos seus inimigos, pois tinha muitos amigos. Poderia ter transigido, mas decidiu firmemente ir a Jerusalém, mesmo depois de avisado do que o esperava. E uma vez ali, enfrentou com ânimo o pior que puderam fazer-lhe: o ódio, a inveja e a ambição contrariada. O beijo do traidor, a deserção dos seus mais caros amigos não lhe levou aos lábios uma censura. A amarga zombaria dos sacerdotes, a insolência de Herodes, a criminosa covardia de Pilatos, a turba que apupava a soldadesca brutal, nada disso lhe arrancou do coração uma palavra de raivoso ressentimento.

“Perdoai-lhes Senhor, eles não sabem o que fazem!” foi essa a sua reação a tortura mental e física que Lhe impuseram. Por sobre a tempestade de ódio e perversidade, o seu espírito pairava sereno. Com o completo sacrifício provou a realidade do infinito amor. Sepultaram-no e disseram: “Isto é o fim” Os inimigos disseram-no com exultação; os amigos, com desalentado desespero. Haviam sonhado com um reino em que Jesus seria rei e eles, consequentemente, seus ajudantes e ministros. “Confiavam que seria ele quem redimiria Israel!”, lamentavam. Mas tudo estava acabado. E eles se esconderam nos cantos escuros da cidade até que a tempestade passasse.

Não se tem depoimento de testemunhas de vista do que aconteceu naquela hora mais negra da derrota e do desespero, e os relatos dos que estavam mais próximos da ocorrência são nervosos e incoerentes. Mas entre as horas do crepúsculo naquele sábado judeu e o amanhecer do dia seguinte aconteceu certamente alguma coisa.

Há várias décadas passadas, não teria ousado afirmar que olhara para o alto e vira um homem com uma máquina feita de metal voando por entre as nuvens do céu! Hoje sorriríamos com tolerância ouvindo afirmação tão comum. Apesar disso, há quem diga a propósito disso que se afirma ter acontecido em Jerusalém: “Absurdo! Impossível!”

Como vêm, não estamos pensando em milagres no sentido da violação de leis conhecidas. Estamos pensando em leis mais altas, em sutis e misteriosas forças de vida que os cientistas reconhecem, mas não puderam ainda mensurar nem controlar. Estamos pensando principalmente naquele invencível poder do Amor pairando sobre aqueles homens impregnados de medo, e aquelas mulheres desconsoladas ansiosas por confortá-los.

Mas é certo que ouve muita agitação naquela manhã de Páscoa. As pessoas corriam de um lado para outro, reuniam-se em grupos, dispersavam-se, sussurravam, riam, gritavam, choravam! Falavam febrilmente em visões de anjos. E essa agitação não pode ser reprimida por sacerdotes nem por governantes. Foi aumentando de dia para dia.

E eis uma coisa maravilhosa! – Aqueles intimidados e decepcionados discípulos tornaram-se subitamente heróis a quem nada podia atemorizar ou conter. Tinham tido medo de estar ao lado de Jesus enquanto ele vivia. Mas enfrentavam depois as multidões com a história improvável de que ele ainda estava vivo de que ele voltara dos mortos. Alguma coisa acontecera àqueles homens.

A coragem com que falavam e o efeito delas sobre as multidões que ouviam só podem ser explicados pela profundeza das suas convicções. Aqueles homens empenhavam a vida, o destino e a honra na verdade da delirante história que contavam. Eram presos e encarcerados. Eram decapitados, crucificados e queimados vivos. Mas nada podia abalar o testemunho que davam do que havia acontecido naquela manhã de Páscoa e diante os dias que se seguiram.

Dentro do espaço de 60 anos todo o Império Romano trepidava com o impacto da nova religião do mundo pagão – uma religião baseada na história de uma Ressurreição. DOZE HOMENS CONTRA O MUNDO! Doze homens sem fortuna, sem instrução, sem apoio oficial. Entretanto, do testemunho que deram nasceu o que um intelectual moderno afirmou ser “A MAIOR EXPLOSÃO DE ENERGIA MORAL ESPIRITUAL QUE O MUNDO JÁ PRESENCIOU”.

Por isso, renovando mais uma vez o nosso credo vemos que acreditamos numa Energia Criadora que enche o Universo e cuja presença é tão imanente no mais frágil inseto como na mais remota estrela. E que em algum ponto entre os dois nos mantemos no âmbito do seu poder.

UM CREDO SIMPLES, NÃO É MESMO?
MAS É UM CREDO QUE ADOÇA A AMARGURA DA VIDA, INFUNDE A EMOÇÃO DO AMOR E DA CORAGEM NA ROTINA DIÁRIA, E DÁ ASAS À ALMA PARA CADA VEZ MAIS PROGREDIR.

Irmão José Anselmo Cícero de Sá (33º. REAA)
V∴M∴ da Loja Estrela da Distinção Maçônica Brasil nr. 953 (GOB/GOERJ)
Academia de Artes, Ciências e Letras do Estado do Rio de Janeiro
Cadeira nr. 29 – Patrono: Quintino Bocaiuva

Publicado no Informativo JB News 1979 de 03 de março de 2016, disponível em https://bancadosbodes.com.br/jb-news-no-1979-03-de-marco-de-2016/

~ por Banca dos Bodes em 04/06/2020.

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