A Princesa Cigana de Pelotas, Terena.

A maldição da “princesa cigana”

                                                                                    

 A.F. Monquelat

Outra lenda urbana desta cidade é a que diz respeito à praga ou a maldição de uma princesa cigana que por aqui esteve no final do século XIX e que, durante esta estada em Pelotas, teria contraído uma doença, motivo pelo qual foi seu povo, preocupado com o estado de saúde de sua princesa que não apresentava melhoras, buscar auxílio entre os médicos da cidade.

Tendo os médicos se recusado a atendê-la, por se tratar de uma cigana, veio a princesa a piorar e morrer; porém, diz a lenda, pouco antes de expirar, teria amaldiçoado a cidade nos seguintes termos: “esta cidade de hoje em diante não mais prosperará”, pelo menos, estas eram as  palavras que ouvíamos toda vez que alguém reproduzia a lenda.

Difícil saber quando e porque nasce uma lenda; agora, quando alguma dessas é desfeita, perde o imaginário popular e muito de sua construção estético-literária. As lendas, sem exceção, são sempre mais bonitas que a realidade do fato nelas contido. A da praga ou a da maldição da princesa cigana lançada sobre a cidade de Pelotas não somente serviu para que alguns, pelo menos os mais pessimistas, sobre o futuro econômico da cidade encontrassem uma justificativa para alguma crise ocorrida em dado momento, como também acabou contribuindo para que se estabelecesse outra, a de que, ainda hoje, caso algo seja pedido à princesa cigana venha o pedido a ser atendido.

Vejamos, no entanto, o que existe de verdade nesta lenda urbana.

Por volta do final de dezembro de 1882, chegou à cidade de Pelotas um grupo de mais ou menos 50 pessoas, entre homens, mulheres e crianças que, segundo a imprensa pareciam ser beduínos ou coisa que o valesse.

Este grupo assentou seus arraiais na extremidade da Rua Conde d’Eu [atual Avenida Bento Gonçalves], mais precisamente à Rua Manduca Rodrigues [atual Professor Araújo] dispondo as sete tendas que de acordo com um jornalista da época, simbolizavam os pecados capitais e ali estavam prontos a decifrarem, na cintilação das estrelas, o destino de “nós outros, simples mortais”.

Dia 28 de dezembro, o “chefe da tribo” compareceu na Secretaria de Polícia, apresentando uma enorme quantidade de papéis a fim de receberem o competente visto para permanecerem acampados na cidade.

A presença de ciganos não era bem vista apenas em Pelotas, mas também em cidade alguma, pelo menos da província. As manifestações contrárias da imprensa eram publicadas desde a chegada, bastando qualquer incidente envolvendo-os para que, em seguida, houvesse denúncia e fosse pedido que as autoridades os enxotasse para fora da cidade. Assim sendo, dia 4 de janeiro de 1883, um jornal local se manifestava, através do noticiário, dizendo que diversos eram os comentários feitos quanto à estada, na cidade, “dos beduínos” acampados lá para os lados da Rua Manduca Rodrigues [atual Professor Araújo].

Uns diziam serem eles uns especuladores, que andavam a explorar a credulidade das pessoas de “ânimo fraco”, apanhando-lhes o dinheiro com artimanhas e falcatruas; outros, que eram trabalhadores honestos procurando ganharem licitamente suas vidas empregando-se nos ofícios de caldeireiros e ferreiros; outros ainda, que os “beduínos” não passavam de uns espertalhões que “embaçavam” a quem lhes chegasse ao alcance das unhas.

Considerando uns e outros juízos, concluía o jornalista por serem eles tanto uma coisa quanto outra, agora, culpado mesmo era aqueles que, acreditando nas teorias de Mesmer [Franz Anton, 1734-1815], René (?) e Catarina de Médici [1519-1589], e fazendo reviver o reinado da bruxaria, ali, no acampamento dos ciganos, iam consultar o oráculo, incomodando-se depois com os resultados.

Quem não quisesse ser explorado que não os procurasse, advertia o jornalista, deixassem-nos em paz que não haveria razão para queixas.

Pois é, tivesse o Sr. Carlos Ritter os deixado em paz não teria motivo para queixar-se, dia 10 de janeiro de 1883, nem pagar a exorbitância que lhe foi cobrada pelo conserto que deu aos “beduínos” fazer em utensílio de sua cervejaria, isso “por não querer se incomodar”.

É chegada a hora de vermos a morte da lendária princesa cigana ocorrida em Pelotas, e a famosa praga por ela lançada antes de expirar.

A morte da “princesa cigana” se deu no dia 2 de março de 1883, em Pelotas, vítima de uma longa enfermidade da qual já sofria quando na cidade chegou.

Em vista da morte, aqui ocorrida, os boêmios – outra das expressões usadas para se referir aos ciganos – adquiriram alguns palmos de terra no cemitério público da cidade e lá construíram o túmulo da “velha Cigana Terena”, mulher do chefe da tribo acampada em Pelotas desde dezembro de 1882.

A morte da cigana Terena foi muito sentida pelo seu povo e, em vista do doloroso acontecimento, não lhes restou outra atitude que não a de observar o ritual que o caso exigia.

O corpo de Terena foi colocado na tenda, do também velho chefe, sobre uma colcha caprichosamente bordada. Ao lado do cadáver, consternados puseram-se os ciganos, inclusive as crianças, sendo que os mais velhos empunhavam quatro enormes velas de cera.

A cada momento o chefe dos ciganos começava um canto, espécie de miserere [composição musical], no que era acompanhado por crianças, homens e mulheres; formando-se uma gritaria melancólica envolta por uma nuvem de resina aromática que queimava junto ao corpo da cigana.

Na madrugada do dia seguinte, duas das bandas da cidade contratadas pelos “beduínos” tocavam no velório, à entrada da tenda mortuária. O sepultamento dar-se-ia, com as honras que a alta hierarquia da finada exigia, dia quatro, pela manhã.

Em sinal de respeito à memória da esposa do chefe da tribo, os ciganos andavam pelas ruas de Pelotas sem chapéu.

Aos curiosos que ao acampamento afluíram nos dias dois e três, em número extraordinário, eram proibidos de entrar na tenda. Diz a imprensa, que ali compareceu, ser enternecedor e sublime contemplar a dor e o luto que ia naquela improvisada aldeola, em que a falecida era objeto de adoração.

O enterro da cigana Terena Caldara, este era seu nome, diz a imprensa da época fora o mais concorrido que até aquele momento Pelotas havia presenciado.

Da tenda mortuária, foi o corpo de Terena conduzido à mão até a ponte do arroio Santa Bárbara [local próximo ao “camelódromo”], sendo então colocado em um carro fúnebre de primeira classe

Ao lado do carro fúnebre [coche, antiga carruagem fechada], segurando as alças do caixão, iam os boêmios, inclusive o velho chefe, levando cada um uma vela acesa com um tope de crepe.

À frente daquele numeroso cortejo, iam as duas bandas de música, entoando tristes e melodiosos trechos musicais.

Os ciganos durante todo o trajeto manifestavam a dor que sentiam em gritos de pesar e dramáticas entoações.

Os rituais da encomendação aconteceram na capela do cemitério, diante de expressivo número de curiosos.

O ataúde foi cercado por tochas acesas, conduzidas por lacrimosos rostos que refletiam a tristeza que lhes ia à alma.

Depois, foi o cadáver colocado no túmulo construído pelos ciganos

O caixão era de madeira polida, forrado interiormente de zinco e custosos adornos.

O velho chefe abraçado ao cadáver de sua antiga companheira não tinha ânimo e resignação para dar-lhe o último adeus, sendo dali arrancado a muito custo.

As mulheres e crianças soltavam gritos enternecedores.

Finalmente, dado o corpo ao sepulcro aquele angustiado grupo de ciganos voltou as suas tendas.

No dia seguinte, em romaria, ainda foram ao cemitério.

Um dos vários jornalistas que cobriram a cerimônia fúnebre, encerrando a notícia, comentava o acontecido dizendo haver assistido a muitos funerais mais de acordo com as exigências requisitadas pela moda que tinha culto entre os povos civilizados, mas nunca tão tristes e mais sentimentais ou tampouco com o cunho de tão eloquente sinceridade.

Há de convir o leitor não haver na morte de Terena Caldara, aqui enterrada em um dos túmulos, hoje, o mais visitado de nosso cemitério público, o menor indício de omissão de socorro por parte dos médicos daquele período, além do que a cigana já chegou doente  em Pelotas, portanto, a enfermidade  que a matou não foi contraída nesta cidade.

De qualquer forma, a razão do túmulo da cigana Terena ser o mais visitado e a ela serem atribuídos certos poderes, além de gozar da fama de atender aos pedidos daqueles que a ela recorrem, nos leva a perguntar: não será isso mais uma lenda urbana de Pelotas ? Quando e porque surgiu e se disseminou essa lenda?

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Fontes: acervo da Bibliotheca Pública Pelotense

Revisão do texto: Jonas Tenfen

Terena, a princesa cigana (parte1/2)

A “maldição da princesa cigana”, que já demonstramos se tratar de mais um dos tantos mitos existentes na história popular da cidade de Pelotas, pois praga ou maldição alguma foi lançada sobre a cidade quando da morte desta, aqui ocorrida em 2 de março de 1883 que, em maiores detalhes poderá ser vista em nosso artigo A maldição da “princesa cigana”, disponível, dentre outros meios de divulgação, em nosso blog pelotasdeontem.blogspot.com.br, conforme postagem de 20 de outubro de 2015.
Porém, quando por falta de maiores informações demos por concluído o nosso artigo, ficaram várias interrogações sobre a, desde muito, mais famosa ou popular morta, cujo jazigo é o mais frequentado de nosso cemitério.
A principal interrogação e que continua nos visitando é: a partir de quando e por que começou a romaria ao túmulo dessa personagem, cujo motivo é o fato de a ela se socorrerem aqueles que precisam de algo ou alguma coisa?
Tal resposta ainda não temos, no entanto, trazemos aqui novos fatos sobre a princesa Terena Caldaras relativos a sua “tribo” e descendência.
Por volta dos primeiros dias de março de 1956, um grande bando de ciganos acampou nas redondezas da cidade, dirigidos por João Estevão Caldaras que, juntamente com sua mulher Vitória Cristo, sua filha Sultana Estevão Caldaras e com Zafra V. Borba, viriam a prestar significativa homenagem à sua ancestral: Terena Caldaras.
Caldaras e sua família encontravam-se com sua tenda armada nas proximidades da caixa d’água da Andrade Neves, na época tido como “Bairro da Luz”.
Era um grupo de ciganos que, conservando as tradições de seu povo, viviam em barraca.
As mulheres trajavam vistosas indumentárias multicores.
O Sr. Ruy Queiroz, que os visitou quando ali estiveram acampados, diz-nos que ao chegar ao acampamento foi recebido por todos os elementos que compunham o grupo chefiado por Caldaras.  A recepção foi festiva, demonstrando a maior afetividade possível “para estes de outra raça” que tanto tinham feito para menosprezá-los, injuriá-los e caluniá-los.
Segundo o Sr. Queiroz, os ciganos pertencem a uma raça como todas as outras existentes nesse desentendido mundo, bons e ruins; generalizá-los, portanto, era um erro.
Quando o Sr. Ruy chegou ao acampamento, encontravam-se na hora do almoço. Sobre uma mesa que não teria mais de 30 centímetros de altura, vários pratos de apetitosos aspectos, eram saboreados pela família zingara.
A família Caldaras insistiu para que o visitante compartilhasse de seu repasto.
A conversa girou sobre diversos assuntos. Em primeiro plano, o furto de que haviam sido vítimas na noite anterior, de todo os utensílios de cozinha. Seguiu-se a conversa com a história dos ciganos de acordo com o conhecimento que possuíam, os seus costumes, suas vidas, em fim, uma admirável palestra cercada de toda a sinceridade e simplicidade.
Sob a barraca o conforto era relativo. Não cozinhavam no solo como seus antepassados. Um fogão esmaltado, panelas brilhantes de limpeza, um gerador que fornecia luz elétrica e energia para o potente rádio-receptor, convencia a qualquer incrédulo que suas vidas em nada diferiam das nossas e, em muitos casos, eram muito acima do conforto que muitos de nós, não ciganos, desfrutávamos.
Fora da barraca um potente automóvel marca Chevrolet substituía os antiquados carros de tração animal, numa demonstração que acompanhavam o “progresso” em todos os setores.
Na hora do chá, um aparelho, que o Sr. Queiroz desconhecia, foi colocado sobre a mesa: era o aparelho para a confecção de sua tradicional bebida. Reuniram-se em torno da mesa todas as mulheres pertencentes ao bando, e, em copos, foi saboreada a bebida.
Mais tarde, chegada a hora da ceia, Vitória, a esposa do chefe, chegou-se ao fogão para o preparo do jantar, auxiliada por sua filha Sultana.
Homenagem a uma ancestral
A conversa continuou, e o grupo soube por intermédio do Sr. Queiroz de que, no cemitério local, estava sepultada uma nobre de sua raça.
Diz o Sr. Queiroz, que tal informação fez com que suas fisionomias modificassem-se. Da alegria, uma tristeza invadiu “suas almas”. Fizeram questão de prestar uma homenagem à sua irmã de raça e, a convite do visitante comparecerem ao cemitério, onde praticariam uma cerimônia que ficaria para sempre gravada na mente do Sr. Ruy Queiroz.
Munidos do material necessário ao ritual de sua religião, duas velas e duas garrafas de vinho, penetraram no cemitério.
É importante salientar de que em todo o trajeto que percorreram, desde a barraca até a necrópole, todos os sorrisos desapareceram numa concentração evidente da homenagem que iriam prestar.
Quando chegaram perante o túmulo, neste, numa lápide já demonstrando os efeitos do tempo, lia-se: “JASIGO DOS RESTOS MORTAES DE TERENA, ESPOSA DE JOÃO CALDARAS. NATURAL DA HUNGRIA, FALECIDA A 2 DE MARÇO DE 1883. COM 55 ANOS DE IDADE. TRIBUTO DE SEUS FILHOS TODORES, LANGHOS, IXOAN, IANOS, IOSCA, POXELIA, ZURCA, MUTTO, PEPE”.
Na presença do túmulo, Caldaras e sua família concentraram-se em prece e prestaram homenagem espiritual a sua ilustre morta.
Acenderam as velas; o vinho foi aberto e derramado em cruz sobre a lápide. O vinho significava o espírito da vida em sua futura vida eterna. As velas, como no ritual apostólico romano, conclamam a aproximação dos santos em proteção ao espírito que se encontra nas alturas. Nada do que levaram foi retirado de volta. Tudo ali ficou como um símbolo de amizade, respeito e votos para que a extinta encontrasse a paz de Deus e o descanso que merecia.
Terminada a cerimônia, antes de afastarem-se do túmulo, fizeram o sinal da cruz de acordo com o ritual da Igreja Católica Ortodoxa.
Magnífico espetáculo de fé e dedicação a seus antepassados foi o que João Caldaras e sua família proporcionaram ao Sr. Ruy Queiroz.

Terena, a princesa cigana (parte2/2)

A.F.Monquelat

O funeral cigano

         De acordo com o chefe do grupo, João Caldaras, quando morre algum membro do bando, a dor, as lágrimas, e lamentos, generalizam-se entre todos os seus componentes.

O funeral do povo cigano diferia em alguns aspectos de outros funerais. O corpo era velado do mesmo modo. Hinos eram entoados em louvor à alma do falecido. Após a retirada do esquife, dois a três baldes de água eram jogados ao solo da barraca onde se realizara a cerimônia do velório. As vasilhas usadas com a água eram tombadas com as respectivas bocas viradas para o lado que seguiria o cortejo fúnebre. Toda a cerimônia era realizada com o mais profundo respeito. Ao chegar à necrópole, após baixar à sepultura o caixão, todos os integrantes do grupo jogavam moedas sobre o mesmo. O significado dessas moedas, segundo Caldaras, era para pagar qualquer dívida que o morto por ventura possuísse na terra, para que assim sua alma pudesse descansar em paz.

Três dias após o sepultamento, era realizado um almoço em homenagem ao falecido, no qual, obrigatoriamente, faziam parte todos os componentes do grupo.

Um ano após o falecimento, novo almoço era realizado. Neste, uma pessoa é vestida com os trajes daquele que falecera, representando-o vivificado e desobrigando a família do morto ao uso do luto.

Em resumo, essas eram as principais cerimônias realizadas durante os funerais dos ciganos.

A chegada de Terena e seu grupo a Pelotas

Por volta de fins de dezembro do ano de 1882, um bando de ciganos originários da Hungria, chefiados por João Caldaras, acampara nos arredores da cidade, mais precisamente na extremidade da Rua Conde d’Eu [atual Avenida Bento Gonçalves] próximo à Rua Manduca Rodrigues [atual Professor Araújo].

A morte e o enterramento da cigana Terena Caldaras

Com seus vistosos trajes, sua alegria característica, o bando passava os dias em seus afazeres até que, dia 2 de março de 1883, a dor e o luto se abateram sobre o grupo, após o falecimento de Terena, a esposa do chefe do acampamento.

Durante os dias 2 e 3, o corpo conservou-se em câmara ardente, velado por todos que constituíam a comunidade.

No sábado, dia 3 de março, uma banda de música, das duas contratadas, tocou algumas peças fúnebres ao romper do sol, junto à barraca onde o corpo estava amortalhado.

Dia 4 de março, o corpo foi conduzido ao cemitério local.

As pomposas homenagens de saudade que lhe tributaram indicavam, realmente, a amizade que lhe consagravam.

Antes da retirada do caixão da barraca, onde se encontrava o corpo, recebeu as orações de encomendação de acordo com o ritual da Igreja católica.

Atrás do esquife, iam os homens e mulheres do grupo, eles descobertos, quase todos em colete, e elas de roupas escuras e lenços amarrados na cabeça, uns como outros, portando uma vela de cera acesa, envolta em crepe.

O caixão foi carregado em mãos até a Ponte de Pedra [que ficava na esquina da Rua Marechal Floriano] sendo ali colocado em carro fúnebre que, acompanhado pelas duas bandas de musica, o conduziu até o cemitério local.

Uma vez colocado o caixão na cova, cada integrante do grupo colocou-lhe em cima muitas moedas de cobre, segundo o jornal Correio Mercantil da época.

Diz-nos o jornal A Discussão, do mesmo período, que a boa ordem junto a certa imponência que exibiam quantos pertenciam àquela extensa família, que vivia em comum, ao desfilarem até o cemitério, acompanhando o féretro, atraiu considerável número de pessoas, calculadas seguramente em mil (1.000), que seguiram a pé o cortejo fúnebre.

O ataúde que era de louro [madeira], polido e ricamente enfeitado, foi até a ponte do arroio Santa Bárbara [ponte de pedra] carregado à mão não só pelos integrantes do grupo como também por muitas outras pessoas da localidade.

Por dois sacerdotes que seguiram em carro, foi encomendado o corpo da finada na capela do cemitério, sendo o caixão deposto em uma sepultura rasa lajeada e preparada para esse fim, colocando-se no mesmo caixão, no ato de enterrar-se, grande quantidade de moedas de ouro e joias de valor.

As despesas que o bando de Terena Caldaras despendeu com as cerimônias fúnebres, segundo informações colhidas por aquele órgão de imprensa, foram de 3:600$000 [três contos e seiscentos mil réis].

Diante do exposto, podemos deduzir que até a data em que o Sr. Ruy Queiroz, março de 1956, informou ao grupo de ciganos aqui acampados, liderados por João Caldaras, que no cemitério local havia um túmulo onde estavam depositados os restos mortais de uma cigana, de nobre descendência, de nome Terena Caldaras, e do qual o grupo não tinha conhecimento algum, não havia romaria ao túmulo dessa personagem, portanto, tal fenômeno é algo relativamente novo.

Diante desse fato, a redescoberta do túmulo da pitonisa (cartomante) Terena Caldaras, que aqui faleceu em certo dia de março do distante ano de 1883, continuaremos pesquisando e coletando material para futuramente, quem sabe, voltarmos ao assunto.

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Fontes: acervo da Bibliotheca Pública Pelotense

Revisão do texto: Jonas Tenfen
Tratamento de imagem: Bruna Detoni

Ilustrações: Zé Povinho, março de 1883

Foto: Acervo de Bruno Martins Farias

Fonte:http://pelotasdeontem.blogspot.com/2016/04/terena-princesa-cigana-parte22.html

~ por Rosemaat Abiff em 12/06/2020.

2 Respostas to “A Princesa Cigana de Pelotas, Terena.”

  1. Esse Mochila Dell é bem resistente, agora então, que vai começar a faculdade é fundamental ter uma dessa

    Curtido por 1 pessoa

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