UM SÓ GOLPE DE MALHETE

Relato:

Em algumas sessões determinada matéria na Ordem do Dia acaba sendo amplamente debatida ou as manifestações durante a Palavra a Bem da Ordem acabam se estendendo por demais, isto ou aquilo consome demasiado tempo e a sessão ultrapassa a previsão de realização que, em média, é de duas (02) horas. Com o objetivo de não procrastinar o Encerramento dos Trabalhos o Venerável Mestre decide fazê-lo e previamente anuncia à assembleia: “vamos encerrar os Trabalhos desta Loja com um só golpe de malhete!”. Manda que os Vigilantes anunciem em suas Colunas, pede ao Orador que feche o Livro da Lei, aguarda que o Mestre Cerimônias cubra o Painel do Grau e em seguida dá um golpe de malhete.

Para aumentar minha estranheira o Venerável passou a exigir que os Vigilantes ratificassem seu golpe, dando também cada Vigilante, em seu altar, um golpe de malhete. Em seu ritual o REAA estabelece que nada daquilo ali previsto pode ser suprimido e nada ali não contido deve ser inserido.

Eis as questões!

1 – Ciente da orientação contida no ritual de não inserir ou suprimir procedimentos, ainda sim faço-lhe a seguinte pergunta. Há previsão legal/ritualística para tal forma de Encerramento dos Trabalhos, conforme acima relatei?

2 – Tendo previsão legal/ritualística para tal forma de Encerramento, há algum vício na forma relatada?

3 – Não havendo previsão e partindo da premissa de que nada pode ser acrescido ou suprimido, como encerrar corretamente os Trabalhos sem prejuízo às pautas ou falas dos Irmãos e ainda sim finalizar os Trabalhos dentro de um horário coerente?

Considerações:

Absolutamente, o Venerável não pode tomar esse tipo de atitude numa situação dessas. O Ritual não prevê esse tipo de encerramento dos trabalhos.

Onde estaria o Orador numa ocasião dessas que não fez cumprir o previsto no Ritual? Quais teriam sido as suas conclusões finais? Não é maçônica a Sessão aberta ou encerrada com um só golpe de malhete!

Ora, ninguém pode desvestir um santo para vestir o outro nesse sentido. Se assuntos pertinentes à Ordem do Dia estiverem tomando muito tempo, a questão é de organização e disciplina, nunca de se atropelar a ritualística. Para que se evitem situações absurdas como essa, o Venerável, em havendo assunto polêmico, então que marque antes uma Sessão Administrativa para as discussões proformas, levando posteriormente (outro dia) o fato já esmiuçado apenas para votação em Sessão Ordinária da Loja. Procedimentos desse quilate é que são inteligentes e ajudam a destravar uma Sessão, ao contrário de se querer justificar um erro com outro interrompendo os trabalhos com esse maldito “um só golpe de malhete”.

A Ordem do Dia de uma sessão maçônica precisa ser anteriormente organizada e não o Venerável deixar os fatos acontecerem simplesmente, sem pauta e com comentários e palavreados repetitivos e prolixos. Penso que para se cumprir um horário coerente com o recomendado, há que ser realizar antes uma prévia dos assuntos discutidos em uma sessão administrativa antecipadamente marcada e que no dia da oficialização e votação na Sessão Ordinária, só votem os que estiveram presentes na outra sessão que previamente fora marcada os ausentes que não atrapalhem.

Agora é preciso que o Orador coíba essa necessidade de se encerrar a Sessão Ordinária da Loja com um só golpe de malhete em um flagrante desrespeito ao Ritual.

Ir∴ Pedro Juk – jukirm@hotmail.com

Publicado no Jornal do Aprendiz, Edição 81, Março de 2016, disponível em https://bancadosbodes.com.br/jornal-do-aprendiz-no-81-marco-2016/

~ por Banca dos Bodes em 16/06/2020.

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